quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pai


Passos largos, passos firmes
Braços justos, braços fortes
Mão aberta, mão que age
Peito aberto, peito norte
Alma boa, alma nobre
Paz na vida, paz na morte

Seu legado, sua sorte
Referência concebida
A existência finita
Numa infinita vida
O céu na terra de fel
O mel de cada ferida

Uma herança recebida
Prudente orientação
O caminho a seguir
Sem seguir na contramão
Um ascendente respeito
Admirável lição

Parece que some o chão
Se do nosso lado sai
Escada sem corrimão
O corpo trôpego cai
Terá imenso vazio
Quando lhe faltar o pai

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Vegetação do Seridó


A árvore fotografada é uma faveleira, com uma jitirana (cipó/trepadeira) florada, ornamentando a árvore desfolhada.

Outro dia, após a postagem do poema Tempo III, recebi um email de um frequentador deste espaço, fazendo-me a gentileza de uma correção - que, de qualquer forma, sou-lhe grato. O amigo corrigia o verso "Tal qual um forte inverno/Que o verão logo alcança", afirmando que a estação que sucede o inverno é a primavera. Na ocasião, retornei o email agradecendo a contribuição dele e, ao mesmo tempo, explicando-lhe que não me referia às estações do ano, no sentido literal. Na realidade o verso do poema tem a conotação climática do nosso sertão, de uma forma empírica e não científica.

A nossa região, devido a proximidade com a Linha do Equador, tem um clima bem diverso das regiões mais próximas dos polos do globo terrestre, de clima temperado, e os equinócios e solstícios, que marcam as mudanças de estação, são pouco percebidos. O homem do campo não trata o verão como uma estação do ano. O verão é visto como o período da estiagem e se estende pela maior parte do ano. Já o inverno, corresponde ao período das chuvas. São essas as conotações que o poema reflete.

Em um ano normal, as chuvas - nosso inverno - ocorrem entre os meses de fevereiro e maio, tendo uma maior frequência e intensidade nos meses de março e abril, com grande variabilidade e incerteza de ocorrência. Ou seja, o nosso inverno às vezes se inicia no verão e tem a sua maior intensidade no outono. E o nosso verão vai do inverno ao verão, passando pela primavera. Quando fazia esses esclarecimentos ao amigo, veio a ideia de tentar relacionar a nossa vegetação aos seus períodos de floração, para evidenciar a pouca correlação com a estação das flores: a primavera.

Apesar de haver uma maior incidência da floração da vegetação da caatinga, nos períodos relacionados, a sua ocorrência se dá, principalmente, em função das chuvas. Portanto os períodos sugeridos podem sofrer alteração em função da irregularidade das chuvas.

Segue, abaixo, a relação das principais plantas arbóreas e cactos que ocorrem no Seridó e seus respectivos períodos de floração. A informação é baseada em simples constatação do homem do campo e apenas me dei ao trabalho de colher e consolidar, não havendo nenhum valor científico.


Planta FloraçãoEstação
Angicosdez/janverão
Aroeiraout/novprimavera
Braúnaout/novprimavera
Cardeiroprimeiras chuvasverão
Catingueiramar/abroutono
Craibeiraset/novprimavera
Cumarujun/julinverno
Facheiroprimeiras chuvasverão
Faveleiramar/abroutono
Imburanafev/marverão
Imbuzeironov/dezprimavera
Juazeiromar/abroutono
Jucánov/dezprimavera
Jurema*mar/abroutono
Maniçobaabr/maioutono
Marmeleiromai/junoutono
Mororómai/junoutono
Mufumbomai/junoutono
Mulunguago/setinverno
Pau-D'arcoago/setinverno
Pereirojan/fevverão
Quixabeiraout/novprimavera
Xique-xiqueprimeiras chuvasverão


(
*) A jurema também costuma florar fora de época, quando da incidência de chuvas isoladas.

PS: Agradeço a José Gentil e Gustavo Braz pelo auxílio na coleta e consolidação das informações relativas às floradas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Vaquejada




Sempre tive uma grande paixão por esse esporte genuinamente nordestino, que, em um passado remoto, correspondia à extensão do cotidiano do nosso vaqueiro. As demonstrações de valentia e de coragem eram coroadas, na maioria das vezes, exclusivamente pelo prazer de ter seus dotes reconhecidos.

Presentes nos paitos1, em situação de igualdade, estavam cavalo, boi e vaqueiro. Também, em situação de igualdade, estavam o vaqueiro autêntico e o vaqueiro da cidade. A interação, as brincadeiras, as demonstrações de habilidade, combinados com a imprevisibilidade decorrente de animais treinados para a lida, mas não para o esporte profissional; e de vaqueiros acostumados a realizar proezas no seu dia-a-dia, como parte do seu ofício, não como exclusivo meio de vida, davam um encanto especial ao esporte.

A boiada corrida2, irregular, composta por bois e novilhas de portes variados – predominantemente graúda - e características pouco homogêneas; os cavalos acostumados a correr no mato, não em uma pista com espaço delimitado; competiam com os mais afeitos àquelas condições, que montavam animais mais qualificados. Mas a graça do evento eram as cenas inusitadas e exclusivas proporcionadas a cada decida do boi: cavalo cabeando3 ou se acuando4 ao adentrar na arena; boi driblando vaqueiro de ponta a ponta do paito ou partindo na frente em disparada, aplicando-lhe o famoso e humilhante cambão5; vaqueiro derrubando boi distante do alvo (faixa); cavalo empinando6 no mourão7 ou tomando as rédeas8 e desembestando9 na corrida; eram os temperos da festa.

O vaqueiro estava sempre diante do imprevisível: a reação do seu cavalo; o tipo de boi que pegaria; e a sua pouca habilidade em conduzir o animal naquelas condições. Mas aí residia o encanto de tudo. Aí se encontrava o prazer de frequentar ou simplesmente assistir a uma vaquejada.

Apesar de atualmente dificilmente correr, continuo a gostar de vaquejada. Mas, cá pra nós: que a evolução do esporte o transformou numa covarde monotonia, com certeza transformou. Principalmente nas grandes vaquejadas, nos eventos de alto nível, olhar uma carreira na fase de classificação é o suficiente para ver todas. Cavalos impressionantemente avantajados, muito bem tratados e treinados; vaqueiros que não fazem outra coisa na vida a não ser treinar a semana toda, munidos de luvas que são verdadeiras navalhas; e, por último, uma boiada toda igual, não corrida, que se não cair, rendendo10 qualquer coisinha, na maioria das vezes terá a calda do seu rabo amputada, com precisão cirúrgica.

O pior de tudo é que aquele que emprestou seu nome ao esporte, aquele do qual o esporte se origina a partir da sua rotina diária, o vaqueiro original, não só perdeu o espaço, como também perdeu o nome que cedeu ao esporte. Se entrar na pista com um cavalinho pé-duro11, menos vistoso ou se for dos que gostam de já sair pegado na calda da rês ou se não souber desfilar com a pose que os “vaqueiros” modernos criaram como padrão, são rotulados pejorativamente de jacus12 ou de mandioqueiros12.

A ostentação e as mostras da forte saúde financeira dos que hoje praticam o esporte é algo impressionante, saindo, muitas vezes, do campo da extrema vaidade e entrando na esfera da humilhação aos que não foram tão bem favorecidos financeiramente pelo destino. Só exemplificando, já achava um excesso a escovação dos animais entre uma carreira e outra. Então, outro dia, vi, em uma grande vaquejada, um zelador de cavalos tendo que escovar os testículos de um animal no corredor do retorno, sem que o “vaqueiro” sequer parasse o animal para facilitar o “trabalho” do pobre infeliz, em frente a uma arquibancada lotada. Acho que para tudo há um limite, inclusive para a vaidade.

Excessos a parte, ainda bem que a essência e o charme da vaquejada do passado ainda tem espaço nos palcos menos vistos. Nos bolões13 e nas mini vaquejadas promovidas nos sítios, ainda é possível ver um cavalo que não seja Quarto-de-Milha14 com papel15, correndo. Também é possível ver, descendo na boiada irregular, o vaqueiro. Não precisa dizer que a cada apresentação, a deparação com o imprevisível e que em cada carreira, uma bem explícita e aparente diferença da outra.

(1) Paito - Palavra derivada de "pátio", mas com um sentido próprio e completo. Representa a arena onde se pratica a vaquejada O mesmo que "pista de vaquejada", local destinado a prática do esporte. As outras definições mais usuais "parque" e "pista" necessitam de ser compostas com o substantivo "vaquejada" para dar sentido exato a expressão.
(2) Boiada corrida - Gado que já tem experiência de pista e procurará se defender, dificultando o trabalho do vaqueiro.
(3) Cabear - Abanar o rabo. Agitar a cauda insistentemente, às vezes girando compassadamente como um ventilador.
(4) Acuar-se - “Armar o circo”. Desobedecer o ginete, fazendo de tudo para não correr.
(5) Cambão - Quando o boi dispara na frente e não permite que o vaqueiro sequer pegue na sua calda.
(6) Empinar - Erguer as patas dianteiras, apoiando-se apenas nas traseiras.
(7) Mourão - Tronco de madeira onde a porteira é firmada e representa o local onde o vaqueiro aguarda a saída do boi, no momento que antecede a carreira.
(8) Tomar as rédeas - Quando o cavalo resolve agir por conta própria, não atendendo aos comandos do vaqueiro.
(9) Desembestar - Sair em disparada desenfreada.
(10) Render - Demorar a cair, segurando-se em pé.
(11) Pé-duro - Animal adaptado a região, aclimatado, derivado das primeiras mestiçagem de raças trazidas para a região. Normalmente são animais rústicos, vigorosos, de porte mediano, cascos fortes e que, ao contrário dos Quartos-de-Milha são perfeitos para a lida diária do semi-árido.
(12) Mandioqueiro ou Jacu – Rótulo descriminatório aos que praticam o esporte, sem a mesma técnica dos profissionais. Até pela origem da palavras se percebe que não são modos de tratamento oriundos da nossa região (Seridó), pois o Jacu não é uma ave nossa e a mandioca só é cultivada em pequenas faixas de terra mais úmidas e férteis.
(13) Bolão – Pequena vaquejada sem premiação predefinida, onde os prêmios pagos aos vencedores são atribuídos a partir de um percentual das senhas vendidas.
(14) Quarto-de-Milha – Raça de cavalos originária dos EUA. Animal de grande porte e extremamente musculoso, especializado em corridas curtas (um quarto de uma milha), que tem se mostrado ideal para a prática da vaquejada profissional.
(15) Com papel – O mesmo que "com registro". Animal de raça, com pedigree.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Porteira Velha


Foto: Kaurê Martins

Porteira velha, emperrada
O seu fim é um suplício
Lá bem longe, no início
Quando tu foste sentada
Com capricho, acabada
Dava gosto de se ver
Até o som do “gemer”
Que do atrito advém
E toda porteira tem
Ouvi-lo dava prazer

A boiada esperava
Paciente, sua hora
Prosseguindo, sem demora
Quando o guia escancarava
E o vaqueiro que guiava
Chamava o gado, aboiando
O rebanho, atrás, urrando
Como que compreendendo
No mesmo tom respondendo:
- Dá licença, vou passando

Por ti passava o vaqueiro
No seu burro bem zelado
E o careto, calçado
Que montava o fazendeiro
O trabalhador, meeiro
Tangendo o seu jumento
Carregando seu sustento:
Milho, feijão, melancia
Mas chegando ao fim do dia
Por ti só passava o vento

Ou melhor, vou corrigir:
Pela sua imponência
Sem a sua anuência
Não passava por ali
Nada podia seguir
Em ti, tudo esbarrava
O vento lhe respeitava
Desviando noutro prumo
O preá mudava o rumo
E nunca lhe afrontava

Como que em um quartel
Que se bate continência
Saudando na reverência
A patente coronel
Até as aves do céu
Respeitavam, ao pousar
Escolhendo pra sentar
Na cerca que segue ao lado
Nem os touros do cercado
Ousaram em ti marrar

Mas da glória do passado
Só lhe resta o gemido
Soando bem mais sofrido
Quando sendo acompanhado
Do ruído do arrastado
Quando roça pelo chão
Que cruel humilhação
Ver a mais bela porteira
Perto de virar fogueira
Ou lenha para o fogão

Em vez de gado no pasto
E porcada no chiqueiro
Com galinhas no terreiro
E um cachorro bom de rasto
Um belo roçado, vasto
E muito peixe no rio
A natureza no cio
Com fartura que nos pasma
Só nos restou um fantasma
De tudo que existiu

Sou o mourão que a sustenta
E nunca cedeu um palmo
Confesso, não estou calmo
E nada mais me alenta
O futuro que se aventa
Machuca mais que lancete
Eu afirmo, sem falsete:
Desejo que o cupim
Possa abreviar meu fim
A ter que firmar colchete

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)



quinta-feira, 3 de setembro de 2009

À Lua


Lua linda, inspiração
Espelho da natureza
A refletir a beleza
E insuflar a paixão

Lua linda, inspiração
Mesmo sendo verdadeira
Não transportas a fogueira
Que arde no astro irmão

Lua linda, inspiração
Reina à noite, absoluta
Na aurora, se oculta:
Humilde resignação

Lua linda, inspiração
Minguante, subtraída
Pelo o ocaso atraída
Abraçando a solidão

Lua linda, inspiração
Nova, a esperança aquece
Em todo fim, resplandece
A luz da ressurreição

Lua linda, inspiração
Crescente, logo empreende
Quando sua força ascende:
Fase de maturação

Lula linda, inspiração
Cheia, espalha seu manto
Do apogeu do encanto
Ao cume da sedução

Lua linda, inspiração
Surgindo no horizonte
Com um flerte, ergue a ponte
Que nos leva a ilusão

Lua linda, inspiração
A luz que em ti se projeta
Segue uma linha reta
Que penetra o coração

Lua linda, inspiração
O amante se exaspera
O poeta te venera
Cravejado de emoção

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

domingo, 23 de agosto de 2009

Da Vida



Foi com um profundo pesar que, só agora a pouco, tomei conhecimento do falecimento do acariense Nequinho Lúcio, ocorrido anteontem (21). Homem íntegro e simples, Nequinho tinha o dom de, com um simples e rotineiro “bom dia”, tornar o dia realmente bom, daquele que era por ele cumprimentado. O seu desprendimento na saudação era algo que inexplicavelmente fazia muito bem. Apesar do pouco contato e da quase nenhuma convivência, aprendi a admirar o seu jeito discreto e o seu estado de espírito, sempre sereno e, ao mesmo tempo, simpático e cortês com todos. A tristeza da sua partida só é amenizada pela certeza de que a sua jornada de vida o habitou a um generoso espaço no Reino de Deus.

Na convicção de que a sua família encontrará conformação na prática católica, que sempre se fez presente no seu seio, utilizo-me da pessoa do seu filho Erivonaldo - exemplo de pai, filho e, sobretudo, irmão - para me solidarizar com todos os seus.

Da Vida

A ambição e a vaidade
Reduzem qualquer cristão
A uma ínfima fração
Do seu valor, de verdade
É uma insanidade
Ter um orgulho profundo
O fútil, não é fecundo
Nada de bom e de belo
Nem mesmo o pó do chinelo
Nós levamos deste mundo

Da vida, só carregamos
No momento que partimos
Da obra que construímos
O bem, que nós semeamos
Se a existência, findamos
Quando a vida se esvai
Na hora que o corpo cai
De toda a nossa ganância
Só o que tem importância
É o abraço do Pai


(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)


Tempo III


Eu, José Gentil, Tetê, Maria Júlia e Luiza no Desfile do Agricultor, de Acari, realizado em 08/08/2009.

Luiza Gabriela(frente), Tetê e Maria Júlia (atrás) no Desfile do Agricultor , de Acari, realizado em 08/08/2009.

Luiza Gabriela no Desfile do Agricultor de Acari, ocorrido em 2000.


Luiza Gabriela, no dia da realização do primeiro (ou segundo) Desfile do Agricultor, em 1994. Foto tirada nas proximidades do parque de vaquejada.

Gostaria de enfatizar a grandiosidade do Desfile do Agricultor deste ano. Estiveram presentes no desfile um total de 310 vaqueiros a cavalo, com representações vindas de Currais Novos, São Vicente, Florânia e Carnauba dos Dantas. Com certeza foi o maior desfile já realizado em Acari, proporcionando um belo e organizado espetáculo.

Tempo III

É marcante, a lembrança
Do que ontem era eterno
Tal qual um forte inverno
Que o verão logo alcança
Só nos resta a esperança
Que o coração se eduque
E que o passado caduque
Aceitando o que lhe falta
Quando a saudade se exalta
Rogo que pouco machuque

A existência é um truque
E a todo instante nos prega
Quando a saudade rega
O coração faz batuque
Tanto ao plebeu, quanto ao duque
O tempo lhes é fugaz
Não traz a vida quem jaz
Nem refaz nenhum momento
O tempo é como um vento
Que conduz o barco ao cais

O passado é capaz
De nos guiar no futuro
Deixa o homem maduro
Mas totalmente incapaz
De uma absoluta paz
Quando a melancolia
Com o tempo, irradia
Invadindo o coração
Então o pobre cristão
No pranto se refugia

A saudade que ardia
De uma infância remota
É o espinho que brota
E que nunca alivia
Seguindo na rodovia
Que nossa vida transcorre
Nunca o passado morre
Mas, também, não ressuscita
O tempo que nos irrita
É o mesmo que nos socorre

O presente que escorre
Quando o tempo se avexa
É uma afiada flecha

Que em nossa carne percorre
Quando a consciência ocorre
Quê o que pra trás ficou
Quando o tempo andou
Já se foi, não volta mais
Só sossegará em paz
Quem, da vida, não gozou

Tudo que, no mundo, amou
Nunca será esquecido
Poderá ser reduzido
À cicatriz, que deixou
Dos momentos que passou
O tempo é o solvente
Com efeito adstringente
Sintoma colateral
Fermento posto no sal
De uma saudade latente

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

sábado, 22 de agosto de 2009

Procissão de Encerramento - 15 de agosto de 2009











A cobertura fotográfica da Festa de Agosto, especialmente da procissão de encerramento, feita por Ismael Medeiros, no seu blog www.ismaelmedeiros.com , foi simplesmente fantástica. Agradeço a Ismael pelas belas fotos que ele nos presenteou no seu espaço e arrisco postar parte delas aqui, mesmo sem o seu consentimento.

Posso até estar enganado, mas creio que foi a maior procissão, em volume de fieis, de todas as festas de Nossa Sra da Guia já realizadas até hoje, no município de Acari. Realmente foi um espetáculo belo e emocionante, ver esse mar de gente percorrendo as ruas da cidade, no primeiro ano do trajeto ampliado da procissão.

Confesso que não tinha convicção se o novo roteiro seria melhor ou pior que o anterior, mas hoje vejo, com clareza, que valeu a pena a mudança e parabenizo a paróquia pela ousadia. Creio até que uma nova ampliação poderia ser planejada: O roteiro sugerido seria o percurso de toda a rua da Matriz, entrando no contorno da rodoviária e descendo pela Rua Maria Nunes, seguindo o restante do trajeto deste ano.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Acari: Simplesmente Singular



Li hoje (04/08) no blog de Dona Maria José Mamede, uma postagem de dois dias atrás, que achei simplesmente brilhante (ainda não li nada dela que não seja). No seu texto , ela afirma que as cidades são dotadas de alma: são singulares. Mas que Acari, tem uma fisionomia única. Ou seja, as cidades, apesar de únicas, são entidades que podem se assemelhar. Mas, segundo ela, em outras palavras, nenhuma outra cidade tinha, sequer, a fisionomia de Acari.

Não que ela ame Acari mais que qualquer um outro acariense. Longe de mim querer comparar bem-querer, mas poucas pessoas conseguiram expressar o seu apreço pela cidade de uma forma tão generosamente bela.

E eu lendo, viajando e imaginando situações passadas, que agora eu tinha resposta. Eu ainda criança, em Natal, ao debater algo com os novos colegas, era sempre a mesma coisa da minha parte: "- Lá em Acari isso é assim; lá em Acari isso é assado..." Já adolecente, em outros rodas, o rumo da prosa era: "- Lá em Acari isso é assim; lá em Acari isso é assado..." Então, homem feito, já defendendo o meu sustento, o assunto no meio profissional ou social era: "- Lá em Acari isso é assim; lá em Acari isso é assado..." Casado, pai de família, então o papo muda de figura. Minha sustentação oral era: "- Lá em Acari isso é assim, lá em Acari isso é assado..." Mas, graças a Deus, esse disco furado (sou do tempo de LP) eu deixei pra trás, em Natal, quando o trabalho me convidou a mudar de cidade. Hoje em Mossoró, a situação é outra. As novas amizades surgidas na cidade que atualmente moro, costumam dizer: "- Esse homem só fala em Acari".

Com o texto de Dona Maria José, vejo que está tudo explicado. Eu não sofria, nem sofro, de nenhum obsessão pela cidade. É que Acari é encantadora mesmo. (pelo menos pra nós). A cidade é simplesmente singular!!! Certamente as pessoas que são nativas de outros torrões também tem amor semelhante pelas suas origens, só que não costumamos escutar a evocação do apreço deles, com a mesma frequência que o seridoense expressa.

Parabenizo Dona Maria José Mamede por tão inspirado momento, quando da crianção do texto:

Antes, num outro momento, eu escrevera [...]"as cidades têm fisionomia, têm alma como as pessoas. Isto as tornam distintas. São singulares, únicas, não existem aos pares"[...] Estas palavras tiveram ressonância, ecoaram no meu sentimento por ti Acari, neste agosto sui generis, inspiração de poesias, cantos, amores, encontros, emoções...
Acari, quero dizer que tua fisionomia é ímpar. Não existe outra. Registra-se no desenho de tuas ruas, onde o casarão antigo destaca-se entre claras e modernas casas ajardinadas; nas belas praças e nos tapetes de flores multicoloridas das ruas; na austeridade e na imponência de tuas igrejas seculares; na velha e na nova ponte do rio Acauã; no museu e monumentos históricos; em tuas alegres escolas; no espelho de prata das águas do Gargalheiras; na moldura anilada das serras abraçando teu espaço.
Acari, quero falar, ainda, de tua alma. Tua alma é teu povo. É a história de teus habitantes. É "o que fazer" cotidiano dos homens e mulheres impressos nas marcas do tempo, na construção ininterrupta do amanhã. São as crenças, as esperanças, as angústias, as contradições das lutas do homem, na geração do desenvolvimento e da cultura. São as emoções das lembranças impregnadas no tempo, daqueles que ora habitam mansões celestiais.
Portanto, Acari, tua fisionomia e tua alma compõem uma totalidade, onde o amor e o desamor do homem escreveram tua história. Sob esta ótica, cada ACARIENSE foi uma página desse registro, na contribuição explícita, ou não para seu enredo.
Acari, em agosto tua história tem mais emoção, sentimento. É tempo de orar, de agradecer, de amar. É a festa da VIRGEM DA GUIA - momento de reencontro, de mãos acenando, de serestas, de banda de música tocando dobrados, de fogos, de lágrimas...



(Postagem original na integra, vide link http://mariacabocla.blogspot.com/2009/08/carta-aberta-acari.html )

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Festa de Agosto - Programação


De 05 a 15 de agosto, Acari estará em festa. Segue abaixo a programação religiosa e social do evento tão esperado:

Programação Religiosa

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Dia 05/08 – 4ª feira
18:30h – Procissão com o Estandarte da Festa saindo da Igreja do Rosário para a Matriz, onde será hasteado pelo sr. prefeito municipal.
19:00h – Missa da Abertura da Festa
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Dia 06/08 – 5ª feira
06:00h - Missa na Matriz.
19:00h - 1a. Noite do Novenário.
Tema: A Santíssima Virgem é apresentada ao Templo. “Santa Mãe de Deus, Maria sempre Virgem, templo do Senhor, santuário do Espírito, somente tu entre todas foste agradável a Cristo Senhor”.
Pregador: Pe. Ivanoff da Costa Pereira
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Dia 07/08 – 6ª feira
08:00h – Missa dos enfermos e idosos na Igreja Matriz.
19:00h – 2a. Noite do novenário.
Tema: A Anunciação do Senhor. Simeão os abençoou e disse a Maria, Mãe de Jesus: “Ele será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição”.
Pregador: Pe. Francisco Costa.
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Dia 08/08 – Sábado

08:00h – Missa na Igreja Matriz (Festa do Agricultor).
19:00h – 3a. Noite do Novenário.
Tema: A Visitação da Santíssima Virgem Maria. “Como posso merecer que a Mãe do meu Senhor me venha visitar?”
Pregador: Pe. Staley Dantas.
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Dia 09/08 – Domingo

07:00h – Missa na Igreja Matriz.
09:00h – Batizados na Igreja Matriz19 horas – 4a. Noite do Novenário.
Tema: pregação conforme leituras deste domingo.
Pregador: Pe. Henock Demétrio.
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Dia 10/08 – 2ª feira

06:00h – Missa na Matriz.
19:00h – 5a. Noite do Novenário.
Tema: A divina Maternidade da Santíssima Virgem Maria. “A Santíssima Virgem Maria é verdadeiramente e realmente a Mãe de Deus”.
Pregador: Pe. Fabiano Dantas.
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Dia 11/08 – 3ª feira

06:00h – Missa na Igreja Matriz.
19:00h – 6a. Noite do Novenário.
Tema: As dores da Santíssima Virgem Maria. “Junto à cruz de Jesus estava de pé sua mãe”.
Pregador: Pe. João Paulo.
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Dia 12/08 – 4ª feira

06:00h– Missa na Igreja Matriz.
19:00h – 7a. Noite do Novenário.
Tema: A Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria. “Toda bela sois, Maria”
Pregador: Pe. Amaurilo José.
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Dia 13/08 – 5ª feira

06:00h – Missa na Igreja Matriz.
19:00h – 8a. Noite do Novenário.
Tema: As aparições de Nossa Senhora a Santa Bernadette em Lourdes: a celebração do jubileu dos 150 anos do prodigioso amor de Maria por seus filhos. “Eu sou a Imaculada Conceição”.
Pregador: Pe. Flávio José de Medeiros de Filho.
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Dia 14/08 – 6ª feira
06:00h – Missa na Igreja Matriz.
18:30h – Carreata com a imagem de Nossa Senhora da Guia saindo da Capela de Santa Rita de Cássia para a Igreja Matriz, com a participação de todos os motoristas.
19:00h – 9a. Noite do Novenário.
Tema: Nossa Senhora é a Rainha do sacratíssimo Rosário. “Maria meditava no seu coração os maravilhosos eventos do seu Filho”.
Pregador: Pe. Manoel Pedro Neto.
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DIA 15/08 – SÁBADO (DIA DO ACARIENSE)
SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA.
07:00h – Missa na Igreja Matriz.
10:00h – Missa Solene na Igraja Matris de Nossa Senhor da Guia.
presidida por D. Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, Bispo Diocesano, e concelebrada pelos sacerdotes presentes.
Tema: A gloriosa Assunção da Bem Aventurada sempre Virgem Maria. “A minh’alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu salvador”.
16:30h – Procissão com a Imagem de Nossa Senhora da Guia pelas principais ruas da cidade, seguindo-se de Missa Campal na Igreja Matriz, palavras de agradecimento, despedidas e arriamento do Estandarte da Festa.
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Programação - Municipal Clube

Dia 08/08 - Noite Maior - Banda Super Ohara (Traje Passeio Completo)
Dia 13/08 - Chicabana e Deixe de Brincadeira
Dia 14/08 - Ferro na Boneca e Brasas do Forró
Dia 15/08 - Dorgival Dantas e Rita de Cássia

Programação - Pavilhão de Nossa Senhora da Guia

Dia 05/08 – Forrozão Chega Nela
Dia 06/08 – Daniel e Banda
Dia 07/08 – Forrozão Aryaxé
Dia 08/08 – UsKaravelho e Jorge de Altinho
Dia 09/08 - Suvaco de Cobra e Paulo Cassiano & Banda Eclipse (Feirinha)
Dia 09/08 – João Pop Show
Dias 10, 11 e 12/08 – Atrações locais e Artistas da Terra
Dia 13/08 – Banda Feras
Dia 14/08 – Santana e Moleca Dengosa
Dia 15/08 – Canindé Moreno e Banda

Programação Cultural e Outras

Dia 07/08 (Sexta-feira)
20:30h - Jantar da Festa - Local: Municipal Clube de Acari

Dia 08/08 (Sábado)
09:30h - Desfile do Agricultor
20:30h - Exposição: O Vaqueiro Noite de Autógrafos - Local: Museu Histórico de Acari

Dia 09/08 (Domingo)
Feira de Artesanato e Comidas Típicas (Feirinha de N.S. da Guia) - Local: Pavilhão da Festa

Dia 10/08 (Segunda-feira)
20:30h - Entrega de Prêmio Incentivo a Leitura e Escrita "Acari cidade das Letras" -Local: Pavilhão da Festa

Dia 11/08 (Terça-feira)
21:00h - Celebração do Centenário da Escola Estadual Tomaz de Araújo - Local: Sede da Escola

Dia 13/08 (Quinta-feira)
20:30h - Exposições Afro-descendentes "Irmãos por toda História" e O Negro na Etnia do Seridó" - Local: Museu Histórico de Acari

domingo, 2 de agosto de 2009

Festa da Padroeira II


Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, em Acari (RN)

Imagem de Nossa Senhora da Guia, dentro da sua Matriz , em Acari (RN)

A festa da padroeira é um momento único de congraçamento, quando o sertanejo reencontra o seu passado, evocando, com orgulho, o amor pelas suas suas origens. Como muito bem define Juvenal Lamartine, trata-se do “ponto alto dos festejos sertanejos”, ocasião em que as famílias se deslocavam das fazendas para zona urbana, onde passava a habitar no decorrer das comemorações. No campo, a maior parte da população vivia, e do campo, a maior parte da população retirava o seu sustento. Porém, era na sede da freguesia que os habitantes se uniam, uma vez por ano, para exaltação da sua religiosidade e para o exercício da socialização.

Atualmente a realidade do Seridó é outra. A zona rural, por não ter condições de suprir as necessidades que o padrão de vida contemporâneo exige, perdeu a sua hegemonia econômica e social e, em muitos casos, acabou sendo quase abandonada. As condições adversas do sertão nordestino, combinadas com a falta de uma política pública apropriada, favoreceram ao êxodo rural que, em princípio, teve nas sedes dos municípios, o seu destino. Como essas pequenas cidades não tiveram, nem têm, condições de absorver toda essa mão-de-obra, a emigração se apresentou, e se apresenta, como uma alternativa de vida sedutora.

Para os grandes centros, parte da população rumou, e continua rumando, e pelo Brasil afora - por que não dizer, mundo afora - se fixou, demonstrando a sua garra e obstinação em vencer. O que era um povo com forte apego às suas origens, logo se transformou em uma nação dispersa por todo o território nacional, que finca uma coluna de resistência aos seus valores, enaltecendo as tradições seridoenses, onde quer que esteja. Constitui-se em uma tarefa fácil localizar ou identificar um seridoense fora do seu habitat, pois o indivíduo faz questão de alardear aos quatro cantos, o extremo orgulho que tem pelo seu passado e pela sua região natal.

Nessa versão sertaneja e permanente da bíblica diáspora, o seridoense constantemente se vê obrigado a deixar a sua “terra prometida”, para buscar o seu sustento ou sucesso profissional em outras paragens. Fugindo das dificuldades e de uma dura realidade, sem nunca perder o amor pela terra onde deu os primeiros passos, inicia uma nova vida distante de casa, mas sempre cultivando e mantendo acesa a chama do desejo de regressar, em definitivo. Talvez a peregrinação anual que caracteriza a festa da padroeira, também sirva para renovar esse amor e esse desejo de retorno. Um retorno lúdico, pois sabe muito bem que os novos laços (sociais, profissionais, afetivos, etc), surgidos na sua jornada de vida, o impedirão de satisfazer o que foi uma jura ou uma promessa que jaz remota, mas que o incomoda profundamente.

Não são poucos os que, mesmo morando distante, orgulham-se de nunca ter perdido uma festa da padroeira de sua cidade. Quase como um pedido de desculpas, por não poder mais retornar definitivamente à terra onde guarda pedaços preciosos da sua vida, o seridoense supera todos os obstáculos para anualmente prestigiar esse tradicional festejo. Talvez a espera do perdão, por uma traição que supostamente praticou, ou da clemência, por um crime que julga ter cometido, anualmente ele vence a distância, deixando para trás suas obrigações cotidianas e os seus compromissos sociais, e se entregando a veneração à padroeira, a veneração à terra que o concebeu, a veneração aos entes queridos que o transformaram em um homem de bem e que são partes indissolúveis do patrimônio histórico e cultural da região do Seridó.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Festa da Padroeira


Convite da Festa de Nsa Sra da Guia de 2008 - Imagem intacta, sem mutilações.

No ano passado (2008), já no finalzinho de julho, vésperas da Festa de Agosto, mandei um email para o amigo Jesus de Miúdo. Naquela ocasião, o email foi por ele publicado em seu blog (Link da postagem original: http://acaridomeuamor.nafoto.net/photo20080729182731.html).

Como uma nova Festa de Agosto se aproxima, replico neste espaço a postagem mencionada, em que eu me referia a um livro que até hoje não canso de eventualmente folhear.

Desejo a todos os acarienses e devotos de Nossa Sra da Guia, uma boa Festa de Agosto, clamando por um pouco de respeito mútou entre conterrâneos. Julgo que a ocasião é sempre oportuna. Acari precisa de um pouco de paz e todos são responsáveis por ela. Se cada um fizer a sua parte e der um passo a frente, a distância se encurta e é possível alçançar a mão da pessoa que você alimenta mágoa, para um aperto.

Segue, abaixo, o conteúdo do email/postagem:

Estou terminando de ler, quase de uma pegada só, uma preciosidade que encontrei este final de semana em uma livraria local. Falo de um livro que deveria estar na cabeceira de todos os seridoenses. A obra-prima é “Velhos Costumes do Meu Sertão” de Juvenal Lamartine (*1874 +1956). Em 1954, já cego e afastado da vida pública, Juvenal passou a escrever, secretariado pelo neto que estivesse desocupado, para o jornal Tribuna do Norte. Essas matérias foram posteriormente condensadas nesse livro que é um retrato fiel do nosso passado, com grande semelhança com o presente.

O desenvolvimento, a interação e a miscigenação cultural, a alteração na valoração das coisas e dos costumes, provocaram grandes mudanças no dia-a-dia do sertanejo. Mas a essência permanece. A hospitalidade, a mesa farta, a busca pelo conhecimento, a obediência e respeito aos progenitores e muitas outras características seculares do seridoense, mudaram de forma, mas não de essência.

Achei interessante o trecho abaixo, no capítulo onde são abordadas as festas religiosas e populares, porque parece que neste caso não sofreu alteração alguma:

A festa religiosa de maior importância naqueles sertões era a da padroeira. Constava de nove noites de novena e da missa cantada com sermão no dia de seu encerramento. As novenas terminavam com fogos de artifício e girândolas de foguetões, dependendo a abundância desses fogos da liberalidade dos encarregados de cada noite festiva
Na sede da freguesia, abriam-se as “casas da rua” , onde ficavam seus proprietários, ou seja, os fazendeiros com suas famílias. As mulheres se valiam daqueles dias para exibirem as suas melhores “toilettes” e jóias de mais elevado valor. Na oportunidade da menor distância, os fazendeiros e suas famílias trocavam visitas, estreitando as relações de amizade e parentesco. Na última noite da festa, promoviam os rapazes um grande baile, onde habitualmente nasciam namoros e noivados, entrelaçando as velhas famílias sertanejas. O costume tem sobrevivido. A festa da padroeira ainda representa o ponto alto dos festejos sertanejos, modificada naturalmente pelos elementos da civilização – automóveis e a energia elétrica.

A diferença mais sensível é que ao invés de uma predominância na mudança das fazendas para a sede da freguesia, hoje ocorre a mudança de outras freguesias (já que a nação seridoense hoje está espalhada por todo o territorial nacional) para a sede dos festejos. Nossas “fazendas” de hoje são os ofícios diversos que a vida nos reservou e que em tempos de festa, abandonamos para comungar de momentos únicos de religiosidade e congraçamento.

Imagem Mutilada



Esta semana tomei conhecimento de mais um capítulo da insana disputa política que corroi Acari. Pelo jeito, a campanha eleitoral ainda não acabou e vai se estender, ao menos, pelos próximos 4 anos, com o agravante de não haver mais nenhuma limitação de escrúpulos. Dessa vez foram transpostas as últimas barreiras da educação e respeito às pessoas, com o ataque aos seus valores e a sua religião. Imagino que a pratica de atos impensados tenha chegado ao cume. Ou ainda não chegou? Será que é possível que se cometa uma afronta moral maior que a profanação da religião? Será que há algo nesse mundo que justifique a ridicularização de uma imagem que representa a fé, desrespeitando a crença de toda uma população de fieis?

Elaborar o convite da festa, trocando o padrão de letras, pelo padrão do símbolo da campanha de Garibaldi (G), já foi um abuso. Agora, retirar a estrela de Nossa Sra da Guia e amputar o seu dedo indicador, para dar destaque ao polegar erquido, foi uma agressão sem par. Não é simplesmente um ataque à uma outra corrente política. É uma agressão a todo um povo e a sua religiosidade. Não consigo entender como uma mente insana tem a "genialidade" de criar algo tão sem propósito como o que foi feito. Será que realmente quem tramou isso acha que ganhará algum voto? O mentor intelectual com certeza é o mais perfeito idiota, mas não é burro. Sabe que, quando muito, vai conseguir conquistar a simpatia de um ou outro pagão que sofre da mesma patologia espiritual dele.

O indivíduo assexuado certamente é cria de si mesmo, por isso lhe falta o valor mais básico do ser humano, que é o respeito a figura materna. O pior é que provavelmente quem praticou tal profanação provavelmente vai dizer que tudo não passou de uma falha da gráfica. Ou melhor, duas falhas da gráfica. Duas não, três falhas da gráfica. Onde sobra disposição para arquitetar uma bestialidade como essa, falta coragem para assumir. Provavelmente vai justificar dizendo que a estrela guia, principal característica dessa imagem de Maria, estava borrada e a gráfica resolveu retirá-la, assim como amputou o dedo indicador da imagem. Por conta própria, também, a gráfica, "coincidentemente", se utilizou do mesmo padrão de letras do símbolo de campanha de Garibaldi. É bem provável até, que a gráfica seja forçada a se pronunciar, assumindo os três erros.

Não creio que a maior parte dos que fazem o PMDB de Acari apoiem tais "ações de marketing". Também não acredito que os patrocinadores do convite tenham concordado com a sua elaboração nesses moldes. Por isso, julgo que seja de bom grado a repulsa veemente por parte de todos, independentemente de partido. A sua defesa ou justificativa soa como cumplicidade. O espírito de porco que idealizou o convite, certamente, como ateu herege que o é, está rindo de tudo e de todos. Pena que do seu caráter não jorre uma única gota de hombridade para assumir o que fez, inocentando as muitas pessoas de bem que compõem o PMDB acariense.

PS: Não acatarei nenhum comentário de apoio ou de crítica. Não é interesse meu dar continuidade a polêmica. Apenas resolvi me pronunciar porque certas coisas para mim são inalienáveis. Sei que a reação mais correta e prudente é a resignação. Mas, nesse caso, calar vai soar como um consentimento ou uma aceitação e, definitivamente, não consinto nem aceito o que foi feito.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Festa da Colheita de Cruzeta (RN)


Luiza declamando o poema

Nossa participação

José Gentil (Til) e eu puxando o burrinho gazo pelo cabresto. Logo atrás, Gustavo Braz, Antônio (filho de Neto de Benedita) e Pedro Pires

O Grupo de Cavalvalgadas Acauã

As jovens amazonas Tereza Raquel e Luiza Gabriela.
Mário Manoel (Mário de Dr. Pedro) e José Gentil (Til)

Os quatro primeiros, da esqueda pra direita, são: José Moré, Til, Antônio Vaqueiro e Mário.
Os demais não foi possível identificar.

Abrindo o desfile, Juca Ramos e Antônio Vaqueiro. Na segunda fila, Til e Mário.

Mário Manoel (Mário de Dr. Pedro), Antônio Vaqueiro e Carlos Dantas (Carlinhos de Jecy)
OBS: Todas as fotos em preto e branco são do final da década de 60, mas infelizmente não conseguimos precisar o ano.


Domingo passado (19/07) foi realizada a 49ª Festa da Colheita de Cruzeta (RN), evento de grande tradição e que movimenta toda a cidade. Após a missa, deu-se o desfile de agricultores e de montarias pelas ruas do centro, com a benção do pároco defronte a igreja matriz de N. Sra. dos Remédios. As comemorações se estenderam por toda a manhã e início da tarde, na Escola Municipal Cônego Ambrósio Silva, e contou com a presença de várias autoridades locais e regionais. Além do anfitrião, prefeito de Cruzeta Sally Araujo, estiveram presentes o vice-governador Iberê Ferreira de Souza, o prefeito de Acari, Antônio Carlos (Tom), o prefeito de São Fernando, Genildo Maia. No decorrer das festividades ocorreu o sorteio de vários prêmios, dentre eles, 22 novilhas ofertadas aos participantes.

O Grupo de Cavalgadas Acauã, de Acari, do qual fazemos parte, esteve presente ao evento pelo segundo ano consecutivo e na ocasião foi convidado a dar uma palavra. Em nome do Grupo, agradecemos o convite e a acolhida, parabenizando o homem do campo, o grande protagonista da festa. Prestamos um tributo de reconhecimento e gratidão a Antônio Vicente (in memoriam) ou Antônio Vaqueiro, pela sua dedicação às realizações dos desfiles no passado. Também, utilizando-se da sua pessoa, estendemos a todos os funcionários e ex-funcionários da Estação Experimental de Cruzeta, hoje Emparn, a nossa gratidão pelos relevantes serviços prestados a agricultura e pecuária do Seridó e de todo estado do RN. Ao final da nossa participação, foi declamado por minha filha Luiza o poema “Pega de Gado”. Link do poema: http://seridopintadocompalavras.blogspot.com/2009/03/pega-de-gado.html

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Salmo 104


Foto: Canindé Soares

Confesso que, apesar de católico temente a Deus, não sou tão praticamente quanto deveria ser. Também não costumo me debruçar sobre o livro dos livros com a frequência que deveria. É muito comum nos lembrarmos da existência da bíblia sagrada apenas nos momentos de angústia ou de dificuldades. Dificilmente a folheamos sem uma motivação forte, seja para alimentar nossa alma ou simplesmente como forma de reforçar nossa fé. Assim como só costumamos nos dirigir a Deus para pedir. Não é muito comum nos dirigirmos ao Pai para agradecer as coisas simples que Ele nos dá todos os dias, sem que peçamos.

Ontem (21/07), quando da abertura de uma reunião de trabalho, sabendo, um colega, que a pauta era pesada, pediu licença aos presentes e leu o Salmo 104 da bíblia sagrada, que achei belíssimo. Para mim, o que seria uma reunião tensa, foi uma reunião amena, assim como ameno foi todo o meu dia de ontem. Gostaria de compartilhar com os que costumam frequentar este espaço, estas poéticas e sábias palavras:

Salmo 104

..tu que te cobres de luz como de um manto, que estendes os céus como uma cortina. És tu que pões nas águas os vigamentos da tua morada, que fazes das nuvens o teu carro, que andas sobre as asas do vento; que fazes dos ventos teus mensageiros, dum fogo abrasador os teus ministros. Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não fosse abalada em tempo algum. Tu a cobriste do abismo, como dum vestido; as águas estavam sobre as montanhas. À tua repreensão fugiram; à voz do teu trovão puseram-se em fuga. Elevaram-se as montanhas, desceram os vales, até o lugar que lhes determinaste. Limite lhes traçaste, que não haviam de ultrapassar, para que não tornassem a cobrir a terra. És tu que nos vales fazes rebentar nascentes, que correm entre as colinas. Dão de beber a todos os animais do campo; ali os asnos monteses matam a sua sede. Junto delas habitam as aves dos céus; dentre a ramagem fazem ouvir o seu canto. Da tua alta morada regas os montes; a terra se farta do fruto das tuas obras. Fazes crescer erva para os animais, e a verdura para uso do homem, de sorte que da terra tire o alimento, o vinho que alegra o seu coração, o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que lhe fortalece o coração. Saciam-se as árvores do Senhor, os cedros do Líbano que ele plantou, nos quais as aves se aninham, e a cegonha, cuja casa está nos ciprestes. Os altos montes são um refúgio para as cabras montesas, e as rochas para os querogrilos. Designou a lua para marcar as estações; o sol sabe a hora do seu ocaso. Fazes as trevas, e vem a noite, na qual saem todos os animais da selva. Os leões novos os animais bramam pela presa, e de Deus buscam o seu sustento. Quando nasce o sol, logo se recolhem e se deitam nos seus covis. Então sai o homem para a sua lida e para o seu trabalho, até a tarde. Ó Senhor, quão multiformes são as tuas obras! Todas elas as fizeste com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas. Eis também o vasto e espaçoso mar, no qual se movem seres inumeráveis, animais pequenos e grandes. Ali andam os navios, e o leviatã que formaste para nele folgar. Todos esperam de ti que lhes dês o sustento a seu tempo. Tu lho dás, e eles o recolhem; abres a tua mão, e eles se fartam de bens. Escondes o teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras a respiração, morrem, e voltam para o seu pó. Envias o teu fôlego, e são criados; e assim renovas a face da terra. Permaneça para sempre a glória do Senhor; regozije-se o Senhor nas suas obras; ele olha para a terra, e ela treme; ele toca nas montanhas, e elas fumegam...

Amém!!!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dia do Amigo



Hoje é dia do amigo. Todos nós temos um patrimônio incalculável e muitas vezes não valorizado, que são os nossos amigos. Costuma-se dizer que é muito difícil encontrar um amigo de verdade; que poucos são os que merecem a nossa amizade. Penso um pouco diferente. Claro que existe aquele amigo capaz de entrar no fogo junto conosco e existe aquele outro amigo que praticamente só se relaciona no trabalho. Mas ambos são nossos amigos, embora em níveis diferentes de afetividade e apreço. O grande problema, muitas vezes, está em nós, em não aceitarmos as pessoas como elas são ou não termos a tolerância que deveríamos ter.

Quer ter amigos? Seja tolerante e sincero, que a amizade naturalmente se estabelecerá. Seja maleável, ceda, quando a situação aconselhar. Não tenha palavra de rei. Reposicione-se ao reconhecer seus erros. Isso é sinal de inteligência e grandeza. Quer manter amigos? A receita é a mesma.

Um forte abraço em todos os meus amigos!!!


Amizade

Não existe escuridão
A luz é que está ausente
O frio só se propaga
Se o calor não tá latente
A morte nada mais é
Que a vida decadente

Assim é a inimizade
Que pra poder prosperar
Necessita da ausência
Do desejo de aceitar
Quando não existe ânimo
Nenhum, pra tolerar

Se não há disposição
Alguma, para ceder
Em hipótese nenhuma
Se procura esquecer
Então a inimizade
É o que vai prevalecer

Não há remédio melhor
Pra aquecer o coração
Que clarificar as coisas
Á luz da compreensão
Protegendo-se do frio
Na chama de um perdão

Existindo tolerância
Numa relação fraterna
Disposição pra ceder
Quando a razão se alterna
Então irá desfrutar
De uma amizade eterna

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A Força da Natureza



De férias em Acari, tenho passado mais tempo no sítio que na cidade. A zona rural está mais bela que nunca. O verde proporcionado pelo excepcional ano de inverno é como o nascimento de uma criança, que apaga da mãe toda a dor do parto, no caso, a dor da seca.

Não sei se é impressão minha ou se é o passar dos anos que desperta em nós uma maior sensibilidade às belezas que nos rodeiam, mas o fato é que me ocorre a nítida percepção que a vida tem explodido, ressurgindo das cinzas, no ambiente hostil dessas paragens do semi-árido nordestino. Tenho percebido uma população cada vez maior de pássaros colorindo os nossos céus sempre tão ensolarados. Galos de campina, concrizes, periquitos e muitos outros têm se mostrado aos bandos, numa sinfonia de cor e canto que encanta e apascenta. Ontem (14/07), ao entardecer, quando retornava do sítio, deparei-me com uma sariema (“seriema” não me agrada, soa estranho, como se fosse um outro animal) na estrada e, por sorte, andava com a câmera que fiz o registro de dentro do carro, mesmo com pouca qualidade, mas representativo de um testemunho da manutenção da vida. Há algum tempo atrás, encontrar uma sariema em um local que não fosse remoto e completamente desabitado, era algo muito raro. Hoje é muito comum ouvir o seu canto, mesmo em locais relativamente próximos da "vida cilizada".

Não sei se essa constatação decorre da atuação mais contundente do Ibama ou da consciência ambiental que começa a ganhar vulto ou dos últimos anos de bom inverno ou desses fatores todos somados, opção que julgo mais pertinente. Mas acho louvável o rigor na atuação dos órgãos públicos de proteção à natureza e rogo para que cada vez mais essa atuação imponha medo aos agressores da nossa frágil e agonizante fauna.

O Caçador

Tanto faz, se a arma é um cachorro
Se é branca, de fogo ou baladeira

Caçador é um poço de asneira
Contra ele eu elevo o meu desforro

Qualquer um bicho bruto, eu socorro
Mas sendo um caçador, pego e amarro

Predador racional, se nele esbarro

Piso em cima, esculacho e esmurro
Eu espanto, recanto e empurro

Tiro sarro, critico e escarro


Passando num roçado ele se apeia

A fartura que existe não escapa
Se não der pra levar, guarda o mapa
E no dia seguinte surrupeia
Com o suor dos outros faz a ceia
Do trabalho alheio se apossa
Vai tomando de conta, toda a roça
Fazendo sua feira, sem demora
Melancia madura, ele devora
Não estando no ponto, ele destroça

Se encontra um açude no cercado

Analisa se o peixe é abundante

Se o local é escondido ou distante

Sendo assim já o deixa reservado

Vem à noite e leva o pescado
Para trás fica o rastro de arruaça
Um cabrito no mato, vira caça

O arame da cerca, ele folga
Vida fácil, desordem lhe empolga
E o furto que fez vira cachaça


Sou pacato, não quero confusão

De confronto, eu só quero distância
Me afasto de qualquer arrogância
Mas quero muito vê-lo na prisão
Minha ação é uma tênue ilusão
Tudo que nos meus versos relatei
O que disse que faço, não farei
Se fizer, vai ser só em pensamento

Sonhando me livrar desse tormento

Caçador? Ou é um fora da lei?

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Burro Mulo


O animal acima é um muar excepcionalmente raro e belo, de quatro meses de idade. Trata-se de um burro mulo gazo, ou seja, albino, que além dessa alteração genética na pigmentação, ainda tem um sinal frontal branco na cabeça (careto) e um outro sinal preto próximo à orelha.


O burrinho brincando com um outro muar de pigmentação convencional, para comparação.


A criaturinha desfilando no campo.

A história do desbravamento do interior do nordeste brasileiro está intimamente relacionada com o uso de muares (burros mulos) e asininos (jumentos). Esses animais foram utilizados pelos primeiros colonizadores para o transporte de cargas e de pessoas em direção aos sertões mais longínquos. Como as terras mais próximas ao litoral eram bastante férteis e adequadas ao cultivo da cana-de-açúcar, base da economia mercantilista da época, a coroa proibia a criação de gado próximo a faixa litorânea, restando as áreas menos férteis e mais áridas do interior, para o criatório de gado.

Num primeiro momento, além das condições naturais adversas, a presença indígena hostil praticamente inibiu qualquer movimento mais efetivo de povoamente. Porém, após a Guerra dos Bárbaros, batalha que culminou na quase extinção das populações indígenas, o Seridó Potiguar se tornou destino de um movimento migratório de colonização mais abrangente. Não só o transporte de pessoas e de mercadorias passou a demandar a força animal: o manejo dos rebanhos bovinos e a necessidade da tração animal para a construção dos primeiros reservatórios de água que amenizariam os efeitos das secas, demandaram animais fortes e resistentes ao clima e a seca. O jumento e o burro, com suas características de rusticidade e força, adaptaram-se perfeitamente a essas situações e passaram a fazer parte do cotidiano do nordestino, seja como veículo de transporte ou como ferramenta de trabalho. Os viajantes, os tropeiros, os tangerinos se utilizavam deles para os extensos e inóspitos percursos trafegados, transportando gado, mantimentos ou simplesmente pessoas.

Com o passar do tempo, com a automação e a modernização, o jumento passou a ser muito menos útil. Porém, o burro mulo continua extremamente importante no manejo bovino e no transporte nas propriedades rurais, sendo muito valorizado e reconhecido pela sua utilidade, situação que não abrange a espécie asinina. Infelizmente é muito comum ver animais da espécie desprezados às margens das rodovias.

PS: O muar ou burro mulo é fruto do cruzamento de duas espécies distintas: o jumento ou asinino, com o cavalo ou equino. O resultado do cruzamento é um híbrido infértil que reune as características de velocidade e versatilidade do cavalo, e a resistência e rusticidade do jumento.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Aflição


Foto: Vídeo Foto Galvão

Não creio que o camaleão que Dedé de Seu Milton Lopes conseguiu flagrar contemplando as belezas do nosso Gargalheira, sofra qualquer espécie de aflição. O réptil pode até não imaginar que tem tudo, mas com certeza tem.

O espaço existente
Entre a paz e a aflição
É trilha que o coração
Perambula sem a mente
Quase que inconsciente
Com a lucidez peralta
A insensatez exalta
Instigando o frágil ser
Que imagina tudo ter
Mas no fundo tudo falta

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Tempo II


Foto: Canindé Soares

O tempo que nos afasta
É o tempo que aproxima
Capaz de apagar mágoa
Remédio pra quem lastima
Alívio pro coração
Cura até desilusão
Que a cega paixão vitima

Refúgio pra qualquer mal
Reparo à agressão
Sem nada de imediato
Que traga consolação
Não tendo outro advento
Que sossegue um tormento
O tempo dá solução

Faz o fraco ficar forte
O pequeno, faz crescer
Quem é novo envelhece
O velho, faz renascer
Muda os nossos caminhos
Troca flores por espinhos
Nos ensinando a vencer

Com o tempo, uma rosa
Desabrocha do botão
Seu perfume e encanto
Logo estarão no chão
Mas o símbolo fraterno
Permanecerá eterno
Cumprindo a sua missão

Tudo muda, tudo passa
Aqui nada é eterno
Produzimos no futuro
Cultivando no inverno
Quem esbanja todo o mel
Hoje a vida é um “ceu”
Amanhã será “inferno”

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)