sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Paredão


Parede do Açude Umari, em Upanema (RN) 

Paredão para mim é esse aí.  O resto é brinquedo que faz zoada e incomoda, de adolescente besta, que gosta de aparecer.


Hoje em qualquer cidade
Não há local de sossego
Na periferia ou centro
Não existe aconchego
A partir da invenção
Desse tal de paredão
Só quem dorme é morcego


É uma grande besteira
Procurar a autoridade
Hoje é um só delegado
Pra seis ou sete cidades
Com o carro indisponível
Por falta de combustível
Fica sem mobilidade


Certo dia, uma turma
Curtindo a sua noitada
Com um som amplificado
Em uma hora avançada
Certamente se lixando
Por se encontrar profanando
Uma norma que é sagrada


Um marchante diplomado
Pela escola da vida
Sendo aluno laureado
Sem matéria repetida
Vai pedir para baixar
Aquele som "de lascar"
Que incomoda a avenida


Precisando descansar
De uma labuta pesada
Querendo se recolher
Na sua hora marcada
Se depara com a conduta
Daqueles “felasdasputa”
Que deixa a rua acordada


Tinha uma moça magrela
Das pernas "fina" e zambeta
Parecia que sambava
Pilotando uma lambreta
Seu corpo foi inspirado
Num desenho inacabado
De um chassi de borboleta


Um macho da bunda grande
Dançava a quebradeira
Rebolando até o chão
Balançando as cadeiras
Vez por outra toca um funck
O nego dá um arranque
Feito um fusca na ladeira


O trabalhador cansado
Doido pra curtir seu sono
Se dirige ao quartudo
Que do paredão é dono
Antes, mesmo, de falar
Ouve: - Nem venha chorar
Meu sonzão eu não raciono


Paciência tem limite
E momento de acabar
De tanto pedir a eles
A fineza de baixar
Pensa: - Só podem ser loucos
Ou então devem ser moucos
Pra conseguir suportar


Depois de se rebaixar
Mesmo com toda razão
Se vê desmoralizado
O humilde cidadão
Decide fazer besteira
Puxando a faca peixeira
E empunhando o facão


Diz: - Mulher traga a bacia
Grande, de "aparar fato"
E a vara de virar tripas
Deixe que eu mesmo trato
O da bunda empinada
Vai virar uma buchada
É o primeiro que eu mato


O sujeito quando viu
O brilho da "lambedeira"
Suspendeu o rebolado
Disparou numa carreira
Quase que “arreia o barro”
Antes de saltar no carro
E engatar a primeira


Nem se lembrou que o reboque
Tava em mau posição
Com energia ligada
Através da extensão
Quando o carro disparou
O fio se esticou
Partindo a fiação


Foi fogo pra todo lado
Antes do som se calar
Na posição que estava
Não foi possível aprumar
O reboque capotou
O sonzão se espatifou
E a paz voltou a reinar


O restante da história
Nem precisa dar guarida
A “mundiça” se encantou
Ohh povo bom de corrida
Só a zambeta magrela
Que ninguém, depois, viu ela
Permanecendo sumida


Encontraram a menina
No terceiro amanhecer
Pense numa cena linda
Que só vendo, para crer
Aquele resto de feira
Trepada numa craibeira
Sem conseguir mais descer


(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)


A história toda é uma ficção, porém alguns termos são influenciados pela "lenda rural" narrada por Everaldo Cabeção e registrada por Jesus de Miúdo, em seu blog: http://acaridomeuamor.nafoto.net/photo20090724213939.html


Dedico ao acariense Everaldo esta postagem e me solidarizo com ele, pela perda do seu pai, Joaquim de Cristóvão, ocorrida esta semana.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Poesia



Confesso que, como aprendiz de poeta de cordel, só me sinto a vontade escrevendo com métrica e rima. Algumas vezes já ensaiei algo não metrificado, mas acaba não saindo nada. Ontem (06/10) tentei definir a poesia, buscando uma abstração maior, sem métrica e com uma rima menos rigorosa. Quando terminei, achei que tinha conseguido. Ledo engano. Relendo, vi que não tinha abstração nenhuma, pois em vez de poesia, eu tinha descrito uma mulher. E o poema acabou seguindo uma estrutura métrica sem obedecer nenhum padrão, mas com uma sequência lógica de rimas, sendo que os dois primeiros versos de cada estrofes tinha 4 sílabas poéticas e o último com 10 sílabas até a última tônica. Sei que pai nenhum vai achar seu filho feio, mas confesso que gostei: simples e charmosa.


És a poesia
Em versos curtos
Cabelos longos de pele macia


Há harmonia...
Cada palavra...
Em cada parte do corpo há encanto


Causa espanto
Palavras frias
Pura sinceridade indolente


Em versos quentes
Respousa a alma
Até na calma, jaz inconsequente


(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sabedoria do Sertanejo


Buscando conhecimento
Perguntei ao sertanejo
Observador constante
Não vive só de lampejos
- Onde está a fortaleza
Das forças da natureza?
Ele disse: - No Desejo


- Para conter uma moça
Nem a muralha da china
- Nada inibe o alpinista
Nem a mais alta colina
- A própria água do rio
Vence qualquer desafio
Até o mar, sua sina


Vendo que ele filosofa
Quis ouvir seu coração
Perguntando ao sujeito
A sua percepção
Procurei ser mais profundo:
- Que você acha do mundo
E da civilização ?


- O mundo é um presente
Perfeito que Deus nos deu
- O homem o mais perverso
Vivente que já nasceu
- Essa tal humanidade
Com Seu Filho foi covarde
Mas por ela, Ele morreu


Confesso, dei um suspiro
Diante da sapiência
Resolvi explorar mais
A profunda inteligência
Indagando ao cidadão
Sua maior ambição
Que fascina a existência?


- Depende da referência
E individualidade
- O sonho para alguns
Não é unanimidade
- Uma chuva no sertão
E um prato de feijão
Bastam a minha vaidade


E eu achando que um carro
Ou um bonito aposento
Pra quem mora num casebre
E viaja num jumento
Era o sonho de consumo
Mas sua ambição, presumo
Só Deus dá o provimento


(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mulher


Foto: Aldo Medeiros

A árvore florida é um Pau D'arco ou Ipê Roxo. Para mim, a mais bela e exuberante florada da nossa rica vegetação. Um verdadeiro espetáculo da natureza: algo que se assemelha a beleza feminina.


E os céus se fez mulher
E a mulher, o paraíso
O brilho intenso da vida
Divino encanto, preciso
A beleza feminina
Minha existência domina
Sem ela, eu agonizo


Sua ausência, exorcizo
Em uma tênue lembrança
Viajando no teu ser
A minha angústia descansa
Sem a sua companhia
A mais cruel agonia
No meu coração se lança


A cumplicidade mansa
É presença preciosa
O mais encantado ser
É a alma graciosa
Que segura a minha mão
De dentro do coração
Faz carícia generosa


(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Manhã...


Foto: David Clemente

A manhã, fria, reluz...
Primeiros raios do sol
Libertando do anzol
Do coma que a noite induz
Um dia novo conduz
A procurar pela glória
Uma nova trajetória
Pra poder sair da lama
Comece fora da cama
A reescrever a história

A manhã, fria, reluz...
Instiga o ser inventivo
A um dia produtivo
Que limpe da alma, o pus
Retirando o capuz
Que cobre o olhar descrente
Melhor um calo na mente
Que um juízo mofado
Cada dia é um legado
Sem valor equivalente

A manhã, fria, reluz...
Que tal um beijo no filho?
Ou enxergar todo o brilho
Que a sua mãe produz?
Que tal pegar sua cruz
Que puseste noutras costas?
Dando a firme resposta
Que o destino aguarda
Para pôr em sua farda
A medalha que lhe arrosta

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

domingo, 4 de outubro de 2009

Soneto da Mulher Poderosa



A mulher poderosa catequiza
Simulando uma frágil condição
Quando, enfim, dominar o coração
O errante liberto, escraviza

Com magia sutil, hipnotiza
Guarnecendo de asas, a ilusão
Interpreta falsa submissão
E o indomável ser, imobiliza

Faz do homem, sua propriedade
Pilha o corpo, a alma, o lazer
Mas que graça teria a humanidade?

Sem mulher, esse tão sublime ser?
Uma vida com total liberdade
E nenhuma razão para viver

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

sábado, 3 de outubro de 2009

Vida Alheia


Por falta de criatividade, não consegui selecionar nenhuma foto para ilustrar a "Vida Alheia", então resolvi colocar o jumento Felipão.

Você deve está pensando: - O que é que um jumento tem a ver com a vida alheia??? Rigorosamente nada, a não ser por se tratar de um personagem da vida interiorana. Mas, o que é que as pessoas tem a ver com a vida dos outros??? Também, nada. Beleza!!! Então Felipão e a "Vida Alheia" já tem algo em comum. Segundo ponto comum: É aconselhável não se meter com nenhum dos dois. Mas... ...se é de você se meter com Felipão, prefira a vida alheia.

No pacato interior
A vida mansa norteia
Dia-a-dia sem estresse
O sossego encandeia
Mas o lazer principal
Presente em qualquer local
É falar da vida alheia

Não importa quem falseia
Nem se saga é verdadeira
Precisa ser criativa
E sendo a versão primeira
Chamará a atenção
Provocando sensação
O mote sobe ladeira

Se a mulher é chifreira
Quem paga é o marido
Enfeitado, rotulado
Cabisbaixo e sofrido
O chifre ainda tá morno
De qualquer forma é corno
Brabo, manso ou ferido

Maxixe é seu apelido
Por ser, a moça, festeira
Incomodaria menos
Sua orelha na fogueira
Dizem que nasceu vadia
E o seu fogo já ardia
Queimando as mãos da parteira

Uma língua fuxiqueira
Faz um estrago danado
Quando faz o julgamento
De um garoto delicado
Não tendo nenhuma dó:
- Criado pela avó
- Só podia ser viado

Contando a quem tá do lado
Solta logo uma bravata
Diz: - Aquela moça velha
- Figurinha caricata
- É chata por ser solteira ?
- Ou, por só falar besteira
- É solteira por ser chata?

Até o amigo destrata
Quem gosta da falação
Se o sujeito compra um carro
Começa a especulação
Diz que está enricando
Que leva a vida roubando
Seu lugar é na prisão

Quando há repreensão
Ao pensamento fecundo
Não aceita o conselho
Se defende em um segundo
Dentro da cabeça dele
Todo o mundo é contra ele
E ele é só, contra o mundo

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Soneto da Impaciência


Paciência é o caminho mais prudente
Decisão racional, resignação
Mas meu sangue não quer ponderação
Tem uma forma de agir inconsequente

A cautela é um traço ausente
Passional, o impulso rege a ação
A espera é inclemente prisão
Uma omissa postura conivente

Quando calo, não é consentimento
É porque não me cabe decidir
A postura velada é um tormento

Impotência cruel de reagir
Eu prefiro o mais rude enfrentamento
Que a atraente opção de fugir

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Galo de Campina


Só olhando com bastante atenção para o centro da foto, um pouco para baixo, será possível enxergar um galo de campina pousado na jurema. A foto foi feita em uma madrugada fria de julho e se deu depois de muita procura. Encontrava-me no sítio, em Acari, selando os cavalos, acompanhado pela trilha sonora matinal da passarada. Mas havia um solista em destaque naquela orquestra alada. Então perdi (ganhei) uns 15 a 20 minutos procurando o pássaro escondido na penumbra do amanhecer, até conseguir registrá-lo neste flagrante.

Galo de Campina canta
Canta a beleza em cores
Cores realçando a vida
Vida ungida de louvores
Louvores que lava a alma
Alma cheia de amores

Galo de Campina canta
Adornando o alvorecer
Encurta o dia longo
Ornamenta o entardecer
Um instrumentista solo
Um abençoado ser

Galo de Campina canta
Dotes que não são só seus
Nunca esteve em aulas
Nunca frequentou liceus
Mas no seu canto se exprime
O timbre da voz de Deus

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pai


Passos largos, passos firmes
Braços justos, braços fortes
Mão aberta, mão que age
Peito aberto, peito norte
Alma boa, alma nobre
Paz na vida, paz na morte

Seu legado, sua sorte
Referência concebida
A existência finita
Numa infinita vida
O céu na terra de fel
O mel de cada ferida

Uma herança recebida
Prudente orientação
O caminho a seguir
Sem seguir na contramão
Um ascendente respeito
Admirável lição

Parece que some o chão
Se do nosso lado sai
Escada sem corrimão
O corpo trôpego cai
Terá imenso vazio
Quando lhe faltar o pai

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Vegetação do Seridó


A árvore fotografada é uma faveleira, com uma jitirana (cipó/trepadeira) florada, ornamentando a árvore desfolhada.

Outro dia, após a postagem do poema Tempo III, recebi um email de um frequentador deste espaço, fazendo-me a gentileza de uma correção - que, de qualquer forma, sou-lhe grato. O amigo corrigia o verso "Tal qual um forte inverno/Que o verão logo alcança", afirmando que a estação que sucede o inverno é a primavera. Na ocasião, retornei o email agradecendo a contribuição dele e, ao mesmo tempo, explicando-lhe que não me referia às estações do ano, no sentido literal. Na realidade o verso do poema tem a conotação climática do nosso sertão, de uma forma empírica e não científica.

A nossa região, devido a proximidade com a Linha do Equador, tem um clima bem diverso das regiões mais próximas dos polos do globo terrestre, de clima temperado, e os equinócios e solstícios, que marcam as mudanças de estação, são pouco percebidos. O homem do campo não trata o verão como uma estação do ano. O verão é visto como o período da estiagem e se estende pela maior parte do ano. Já o inverno, corresponde ao período das chuvas. São essas as conotações que o poema reflete.

Em um ano normal, as chuvas - nosso inverno - ocorrem entre os meses de fevereiro e maio, tendo uma maior frequência e intensidade nos meses de março e abril, com grande variabilidade e incerteza de ocorrência. Ou seja, o nosso inverno às vezes se inicia no verão e tem a sua maior intensidade no outono. E o nosso verão vai do inverno ao verão, passando pela primavera. Quando fazia esses esclarecimentos ao amigo, veio a ideia de tentar relacionar a nossa vegetação aos seus períodos de floração, para evidenciar a pouca correlação com a estação das flores: a primavera.

Apesar de haver uma maior incidência da floração da vegetação da caatinga, nos períodos relacionados, a sua ocorrência se dá, principalmente, em função das chuvas. Portanto os períodos sugeridos podem sofrer alteração em função da irregularidade das chuvas.

Segue, abaixo, a relação das principais plantas arbóreas e cactos que ocorrem no Seridó e seus respectivos períodos de floração. A informação é baseada em simples constatação do homem do campo e apenas me dei ao trabalho de colher e consolidar, não havendo nenhum valor científico.


Planta FloraçãoEstação
Angicosdez/janverão
Aroeiraout/novprimavera
Braúnaout/novprimavera
Cardeiroprimeiras chuvasverão
Catingueiramar/abroutono
Craibeiraset/novprimavera
Cumarujun/julinverno
Facheiroprimeiras chuvasverão
Faveleiramar/abroutono
Imburanafev/marverão
Imbuzeironov/dezprimavera
Juazeiromar/abroutono
Jucánov/dezprimavera
Jurema*mar/abroutono
Maniçobaabr/maioutono
Marmeleiromai/junoutono
Mororómai/junoutono
Mufumbomai/junoutono
Mulunguago/setinverno
Pau-D'arcoago/setinverno
Pereirojan/fevverão
Quixabeiraout/novprimavera
Xique-xiqueprimeiras chuvasverão


(
*) A jurema também costuma florar fora de época, quando da incidência de chuvas isoladas.

PS: Agradeço a José Gentil e Gustavo Braz pelo auxílio na coleta e consolidação das informações relativas às floradas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Vaquejada




Sempre tive uma grande paixão por esse esporte genuinamente nordestino, que, em um passado remoto, correspondia à extensão do cotidiano do nosso vaqueiro. As demonstrações de valentia e de coragem eram coroadas, na maioria das vezes, exclusivamente pelo prazer de ter seus dotes reconhecidos.

Presentes nos paitos1, em situação de igualdade, estavam cavalo, boi e vaqueiro. Também, em situação de igualdade, estavam o vaqueiro autêntico e o vaqueiro da cidade. A interação, as brincadeiras, as demonstrações de habilidade, combinados com a imprevisibilidade decorrente de animais treinados para a lida, mas não para o esporte profissional; e de vaqueiros acostumados a realizar proezas no seu dia-a-dia, como parte do seu ofício, não como exclusivo meio de vida, davam um encanto especial ao esporte.

A boiada corrida2, irregular, composta por bois e novilhas de portes variados – predominantemente graúda - e características pouco homogêneas; os cavalos acostumados a correr no mato, não em uma pista com espaço delimitado; competiam com os mais afeitos àquelas condições, que montavam animais mais qualificados. Mas a graça do evento eram as cenas inusitadas e exclusivas proporcionadas a cada decida do boi: cavalo cabeando3 ou se acuando4 ao adentrar na arena; boi driblando vaqueiro de ponta a ponta do paito ou partindo na frente em disparada, aplicando-lhe o famoso e humilhante cambão5; vaqueiro derrubando boi distante do alvo (faixa); cavalo empinando6 no mourão7 ou tomando as rédeas8 e desembestando9 na corrida; eram os temperos da festa.

O vaqueiro estava sempre diante do imprevisível: a reação do seu cavalo; o tipo de boi que pegaria; e a sua pouca habilidade em conduzir o animal naquelas condições. Mas aí residia o encanto de tudo. Aí se encontrava o prazer de frequentar ou simplesmente assistir a uma vaquejada.

Apesar de atualmente dificilmente correr, continuo a gostar de vaquejada. Mas, cá pra nós: que a evolução do esporte o transformou numa covarde monotonia, com certeza transformou. Principalmente nas grandes vaquejadas, nos eventos de alto nível, olhar uma carreira na fase de classificação é o suficiente para ver todas. Cavalos impressionantemente avantajados, muito bem tratados e treinados; vaqueiros que não fazem outra coisa na vida a não ser treinar a semana toda, munidos de luvas que são verdadeiras navalhas; e, por último, uma boiada toda igual, não corrida, que se não cair, rendendo10 qualquer coisinha, na maioria das vezes terá a calda do seu rabo amputada, com precisão cirúrgica.

O pior de tudo é que aquele que emprestou seu nome ao esporte, aquele do qual o esporte se origina a partir da sua rotina diária, o vaqueiro original, não só perdeu o espaço, como também perdeu o nome que cedeu ao esporte. Se entrar na pista com um cavalinho pé-duro11, menos vistoso ou se for dos que gostam de já sair pegado na calda da rês ou se não souber desfilar com a pose que os “vaqueiros” modernos criaram como padrão, são rotulados pejorativamente de jacus12 ou de mandioqueiros12.

A ostentação e as mostras da forte saúde financeira dos que hoje praticam o esporte é algo impressionante, saindo, muitas vezes, do campo da extrema vaidade e entrando na esfera da humilhação aos que não foram tão bem favorecidos financeiramente pelo destino. Só exemplificando, já achava um excesso a escovação dos animais entre uma carreira e outra. Então, outro dia, vi, em uma grande vaquejada, um zelador de cavalos tendo que escovar os testículos de um animal no corredor do retorno, sem que o “vaqueiro” sequer parasse o animal para facilitar o “trabalho” do pobre infeliz, em frente a uma arquibancada lotada. Acho que para tudo há um limite, inclusive para a vaidade.

Excessos a parte, ainda bem que a essência e o charme da vaquejada do passado ainda tem espaço nos palcos menos vistos. Nos bolões13 e nas mini vaquejadas promovidas nos sítios, ainda é possível ver um cavalo que não seja Quarto-de-Milha14 com papel15, correndo. Também é possível ver, descendo na boiada irregular, o vaqueiro. Não precisa dizer que a cada apresentação, a deparação com o imprevisível e que em cada carreira, uma bem explícita e aparente diferença da outra.

(1) Paito - Palavra derivada de "pátio", mas com um sentido próprio e completo. Representa a arena onde se pratica a vaquejada O mesmo que "pista de vaquejada", local destinado a prática do esporte. As outras definições mais usuais "parque" e "pista" necessitam de ser compostas com o substantivo "vaquejada" para dar sentido exato a expressão.
(2) Boiada corrida - Gado que já tem experiência de pista e procurará se defender, dificultando o trabalho do vaqueiro.
(3) Cabear - Abanar o rabo. Agitar a cauda insistentemente, às vezes girando compassadamente como um ventilador.
(4) Acuar-se - “Armar o circo”. Desobedecer o ginete, fazendo de tudo para não correr.
(5) Cambão - Quando o boi dispara na frente e não permite que o vaqueiro sequer pegue na sua calda.
(6) Empinar - Erguer as patas dianteiras, apoiando-se apenas nas traseiras.
(7) Mourão - Tronco de madeira onde a porteira é firmada e representa o local onde o vaqueiro aguarda a saída do boi, no momento que antecede a carreira.
(8) Tomar as rédeas - Quando o cavalo resolve agir por conta própria, não atendendo aos comandos do vaqueiro.
(9) Desembestar - Sair em disparada desenfreada.
(10) Render - Demorar a cair, segurando-se em pé.
(11) Pé-duro - Animal adaptado a região, aclimatado, derivado das primeiras mestiçagem de raças trazidas para a região. Normalmente são animais rústicos, vigorosos, de porte mediano, cascos fortes e que, ao contrário dos Quartos-de-Milha são perfeitos para a lida diária do semi-árido.
(12) Mandioqueiro ou Jacu – Rótulo descriminatório aos que praticam o esporte, sem a mesma técnica dos profissionais. Até pela origem da palavras se percebe que não são modos de tratamento oriundos da nossa região (Seridó), pois o Jacu não é uma ave nossa e a mandioca só é cultivada em pequenas faixas de terra mais úmidas e férteis.
(13) Bolão – Pequena vaquejada sem premiação predefinida, onde os prêmios pagos aos vencedores são atribuídos a partir de um percentual das senhas vendidas.
(14) Quarto-de-Milha – Raça de cavalos originária dos EUA. Animal de grande porte e extremamente musculoso, especializado em corridas curtas (um quarto de uma milha), que tem se mostrado ideal para a prática da vaquejada profissional.
(15) Com papel – O mesmo que "com registro". Animal de raça, com pedigree.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Porteira Velha


Foto: Kaurê Martins

Porteira velha, emperrada
O seu fim é um suplício
Lá bem longe, no início
Quando tu foste sentada
Com capricho, acabada
Dava gosto de se ver
Até o som do “gemer”
Que do atrito advém
E toda porteira tem
Ouvi-lo dava prazer

A boiada esperava
Paciente, sua hora
Prosseguindo, sem demora
Quando o guia escancarava
E o vaqueiro que guiava
Chamava o gado, aboiando
O rebanho, atrás, urrando
Como que compreendendo
No mesmo tom respondendo:
- Dá licença, vou passando

Por ti passava o vaqueiro
No seu burro bem zelado
E o careto, calçado
Que montava o fazendeiro
O trabalhador, meeiro
Tangendo o seu jumento
Carregando seu sustento:
Milho, feijão, melancia
Mas chegando ao fim do dia
Por ti só passava o vento

Ou melhor, vou corrigir:
Pela sua imponência
Sem a sua anuência
Não passava por ali
Nada podia seguir
Em ti, tudo esbarrava
O vento lhe respeitava
Desviando noutro prumo
O preá mudava o rumo
E nunca lhe afrontava

Como que em um quartel
Que se bate continência
Saudando na reverência
A patente coronel
Até as aves do céu
Respeitavam, ao pousar
Escolhendo pra sentar
Na cerca que segue ao lado
Nem os touros do cercado
Ousaram em ti marrar

Mas da glória do passado
Só lhe resta o gemido
Soando bem mais sofrido
Quando sendo acompanhado
Do ruído do arrastado
Quando roça pelo chão
Que cruel humilhação
Ver a mais bela porteira
Perto de virar fogueira
Ou lenha para o fogão

Em vez de gado no pasto
E porcada no chiqueiro
Com galinhas no terreiro
E um cachorro bom de rasto
Um belo roçado, vasto
E muito peixe no rio
A natureza no cio
Com fartura que nos pasma
Só nos restou um fantasma
De tudo que existiu

Sou o mourão que a sustenta
E nunca cedeu um palmo
Confesso, não estou calmo
E nada mais me alenta
O futuro que se aventa
Machuca mais que lancete
Eu afirmo, sem falsete:
Desejo que o cupim
Possa abreviar meu fim
A ter que firmar colchete

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)



quinta-feira, 3 de setembro de 2009

À Lua


Lua linda, inspiração
Espelho da natureza
A refletir a beleza
E insuflar a paixão

Lua linda, inspiração
Mesmo sendo verdadeira
Não transportas a fogueira
Que arde no astro irmão

Lua linda, inspiração
Reina à noite, absoluta
Na aurora, se oculta:
Humilde resignação

Lua linda, inspiração
Minguante, subtraída
Pelo o ocaso atraída
Abraçando a solidão

Lua linda, inspiração
Nova, a esperança aquece
Em todo fim, resplandece
A luz da ressurreição

Lua linda, inspiração
Crescente, logo empreende
Quando sua força ascende:
Fase de maturação

Lula linda, inspiração
Cheia, espalha seu manto
Do apogeu do encanto
Ao cume da sedução

Lua linda, inspiração
Surgindo no horizonte
Com um flerte, ergue a ponte
Que nos leva a ilusão

Lua linda, inspiração
A luz que em ti se projeta
Segue uma linha reta
Que penetra o coração

Lua linda, inspiração
O amante se exaspera
O poeta te venera
Cravejado de emoção

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

domingo, 23 de agosto de 2009

Da Vida



Foi com um profundo pesar que, só agora a pouco, tomei conhecimento do falecimento do acariense Nequinho Lúcio, ocorrido anteontem (21). Homem íntegro e simples, Nequinho tinha o dom de, com um simples e rotineiro “bom dia”, tornar o dia realmente bom, daquele que era por ele cumprimentado. O seu desprendimento na saudação era algo que inexplicavelmente fazia muito bem. Apesar do pouco contato e da quase nenhuma convivência, aprendi a admirar o seu jeito discreto e o seu estado de espírito, sempre sereno e, ao mesmo tempo, simpático e cortês com todos. A tristeza da sua partida só é amenizada pela certeza de que a sua jornada de vida o habitou a um generoso espaço no Reino de Deus.

Na convicção de que a sua família encontrará conformação na prática católica, que sempre se fez presente no seu seio, utilizo-me da pessoa do seu filho Erivonaldo - exemplo de pai, filho e, sobretudo, irmão - para me solidarizar com todos os seus.

Da Vida

A ambição e a vaidade
Reduzem qualquer cristão
A uma ínfima fração
Do seu valor, de verdade
É uma insanidade
Ter um orgulho profundo
O fútil, não é fecundo
Nada de bom e de belo
Nem mesmo o pó do chinelo
Nós levamos deste mundo

Da vida, só carregamos
No momento que partimos
Da obra que construímos
O bem, que nós semeamos
Se a existência, findamos
Quando a vida se esvai
Na hora que o corpo cai
De toda a nossa ganância
Só o que tem importância
É o abraço do Pai


(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)


Tempo III


Eu, José Gentil, Tetê, Maria Júlia e Luiza no Desfile do Agricultor, de Acari, realizado em 08/08/2009.

Luiza Gabriela(frente), Tetê e Maria Júlia (atrás) no Desfile do Agricultor , de Acari, realizado em 08/08/2009.

Luiza Gabriela no Desfile do Agricultor de Acari, ocorrido em 2000.


Luiza Gabriela, no dia da realização do primeiro (ou segundo) Desfile do Agricultor, em 1994. Foto tirada nas proximidades do parque de vaquejada.

Gostaria de enfatizar a grandiosidade do Desfile do Agricultor deste ano. Estiveram presentes no desfile um total de 310 vaqueiros a cavalo, com representações vindas de Currais Novos, São Vicente, Florânia e Carnauba dos Dantas. Com certeza foi o maior desfile já realizado em Acari, proporcionando um belo e organizado espetáculo.

Tempo III

É marcante, a lembrança
Do que ontem era eterno
Tal qual um forte inverno
Que o verão logo alcança
Só nos resta a esperança
Que o coração se eduque
E que o passado caduque
Aceitando o que lhe falta
Quando a saudade se exalta
Rogo que pouco machuque

A existência é um truque
E a todo instante nos prega
Quando a saudade rega
O coração faz batuque
Tanto ao plebeu, quanto ao duque
O tempo lhes é fugaz
Não traz a vida quem jaz
Nem refaz nenhum momento
O tempo é como um vento
Que conduz o barco ao cais

O passado é capaz
De nos guiar no futuro
Deixa o homem maduro
Mas totalmente incapaz
De uma absoluta paz
Quando a melancolia
Com o tempo, irradia
Invadindo o coração
Então o pobre cristão
No pranto se refugia

A saudade que ardia
De uma infância remota
É o espinho que brota
E que nunca alivia
Seguindo na rodovia
Que nossa vida transcorre
Nunca o passado morre
Mas, também, não ressuscita
O tempo que nos irrita
É o mesmo que nos socorre

O presente que escorre
Quando o tempo se avexa
É uma afiada flecha

Que em nossa carne percorre
Quando a consciência ocorre
Quê o que pra trás ficou
Quando o tempo andou
Já se foi, não volta mais
Só sossegará em paz
Quem, da vida, não gozou

Tudo que, no mundo, amou
Nunca será esquecido
Poderá ser reduzido
À cicatriz, que deixou
Dos momentos que passou
O tempo é o solvente
Com efeito adstringente
Sintoma colateral
Fermento posto no sal
De uma saudade latente

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

sábado, 22 de agosto de 2009

Procissão de Encerramento - 15 de agosto de 2009











A cobertura fotográfica da Festa de Agosto, especialmente da procissão de encerramento, feita por Ismael Medeiros, no seu blog www.ismaelmedeiros.com , foi simplesmente fantástica. Agradeço a Ismael pelas belas fotos que ele nos presenteou no seu espaço e arrisco postar parte delas aqui, mesmo sem o seu consentimento.

Posso até estar enganado, mas creio que foi a maior procissão, em volume de fieis, de todas as festas de Nossa Sra da Guia já realizadas até hoje, no município de Acari. Realmente foi um espetáculo belo e emocionante, ver esse mar de gente percorrendo as ruas da cidade, no primeiro ano do trajeto ampliado da procissão.

Confesso que não tinha convicção se o novo roteiro seria melhor ou pior que o anterior, mas hoje vejo, com clareza, que valeu a pena a mudança e parabenizo a paróquia pela ousadia. Creio até que uma nova ampliação poderia ser planejada: O roteiro sugerido seria o percurso de toda a rua da Matriz, entrando no contorno da rodoviária e descendo pela Rua Maria Nunes, seguindo o restante do trajeto deste ano.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Acari: Simplesmente Singular



Li hoje (04/08) no blog de Dona Maria José Mamede, uma postagem de dois dias atrás, que achei simplesmente brilhante (ainda não li nada dela que não seja). No seu texto , ela afirma que as cidades são dotadas de alma: são singulares. Mas que Acari, tem uma fisionomia única. Ou seja, as cidades, apesar de únicas, são entidades que podem se assemelhar. Mas, segundo ela, em outras palavras, nenhuma outra cidade tinha, sequer, a fisionomia de Acari.

Não que ela ame Acari mais que qualquer um outro acariense. Longe de mim querer comparar bem-querer, mas poucas pessoas conseguiram expressar o seu apreço pela cidade de uma forma tão generosamente bela.

E eu lendo, viajando e imaginando situações passadas, que agora eu tinha resposta. Eu ainda criança, em Natal, ao debater algo com os novos colegas, era sempre a mesma coisa da minha parte: "- Lá em Acari isso é assim; lá em Acari isso é assado..." Já adolecente, em outros rodas, o rumo da prosa era: "- Lá em Acari isso é assim; lá em Acari isso é assado..." Então, homem feito, já defendendo o meu sustento, o assunto no meio profissional ou social era: "- Lá em Acari isso é assim; lá em Acari isso é assado..." Casado, pai de família, então o papo muda de figura. Minha sustentação oral era: "- Lá em Acari isso é assim, lá em Acari isso é assado..." Mas, graças a Deus, esse disco furado (sou do tempo de LP) eu deixei pra trás, em Natal, quando o trabalho me convidou a mudar de cidade. Hoje em Mossoró, a situação é outra. As novas amizades surgidas na cidade que atualmente moro, costumam dizer: "- Esse homem só fala em Acari".

Com o texto de Dona Maria José, vejo que está tudo explicado. Eu não sofria, nem sofro, de nenhum obsessão pela cidade. É que Acari é encantadora mesmo. (pelo menos pra nós). A cidade é simplesmente singular!!! Certamente as pessoas que são nativas de outros torrões também tem amor semelhante pelas suas origens, só que não costumamos escutar a evocação do apreço deles, com a mesma frequência que o seridoense expressa.

Parabenizo Dona Maria José Mamede por tão inspirado momento, quando da crianção do texto:

Antes, num outro momento, eu escrevera [...]"as cidades têm fisionomia, têm alma como as pessoas. Isto as tornam distintas. São singulares, únicas, não existem aos pares"[...] Estas palavras tiveram ressonância, ecoaram no meu sentimento por ti Acari, neste agosto sui generis, inspiração de poesias, cantos, amores, encontros, emoções...
Acari, quero dizer que tua fisionomia é ímpar. Não existe outra. Registra-se no desenho de tuas ruas, onde o casarão antigo destaca-se entre claras e modernas casas ajardinadas; nas belas praças e nos tapetes de flores multicoloridas das ruas; na austeridade e na imponência de tuas igrejas seculares; na velha e na nova ponte do rio Acauã; no museu e monumentos históricos; em tuas alegres escolas; no espelho de prata das águas do Gargalheiras; na moldura anilada das serras abraçando teu espaço.
Acari, quero falar, ainda, de tua alma. Tua alma é teu povo. É a história de teus habitantes. É "o que fazer" cotidiano dos homens e mulheres impressos nas marcas do tempo, na construção ininterrupta do amanhã. São as crenças, as esperanças, as angústias, as contradições das lutas do homem, na geração do desenvolvimento e da cultura. São as emoções das lembranças impregnadas no tempo, daqueles que ora habitam mansões celestiais.
Portanto, Acari, tua fisionomia e tua alma compõem uma totalidade, onde o amor e o desamor do homem escreveram tua história. Sob esta ótica, cada ACARIENSE foi uma página desse registro, na contribuição explícita, ou não para seu enredo.
Acari, em agosto tua história tem mais emoção, sentimento. É tempo de orar, de agradecer, de amar. É a festa da VIRGEM DA GUIA - momento de reencontro, de mãos acenando, de serestas, de banda de música tocando dobrados, de fogos, de lágrimas...



(Postagem original na integra, vide link http://mariacabocla.blogspot.com/2009/08/carta-aberta-acari.html )

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Festa de Agosto - Programação


De 05 a 15 de agosto, Acari estará em festa. Segue abaixo a programação religiosa e social do evento tão esperado:

Programação Religiosa

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Dia 05/08 – 4ª feira
18:30h – Procissão com o Estandarte da Festa saindo da Igreja do Rosário para a Matriz, onde será hasteado pelo sr. prefeito municipal.
19:00h – Missa da Abertura da Festa
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Dia 06/08 – 5ª feira
06:00h - Missa na Matriz.
19:00h - 1a. Noite do Novenário.
Tema: A Santíssima Virgem é apresentada ao Templo. “Santa Mãe de Deus, Maria sempre Virgem, templo do Senhor, santuário do Espírito, somente tu entre todas foste agradável a Cristo Senhor”.
Pregador: Pe. Ivanoff da Costa Pereira
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Dia 07/08 – 6ª feira
08:00h – Missa dos enfermos e idosos na Igreja Matriz.
19:00h – 2a. Noite do novenário.
Tema: A Anunciação do Senhor. Simeão os abençoou e disse a Maria, Mãe de Jesus: “Ele será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição”.
Pregador: Pe. Francisco Costa.
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Dia 08/08 – Sábado

08:00h – Missa na Igreja Matriz (Festa do Agricultor).
19:00h – 3a. Noite do Novenário.
Tema: A Visitação da Santíssima Virgem Maria. “Como posso merecer que a Mãe do meu Senhor me venha visitar?”
Pregador: Pe. Staley Dantas.
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Dia 09/08 – Domingo

07:00h – Missa na Igreja Matriz.
09:00h – Batizados na Igreja Matriz19 horas – 4a. Noite do Novenário.
Tema: pregação conforme leituras deste domingo.
Pregador: Pe. Henock Demétrio.
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Dia 10/08 – 2ª feira

06:00h – Missa na Matriz.
19:00h – 5a. Noite do Novenário.
Tema: A divina Maternidade da Santíssima Virgem Maria. “A Santíssima Virgem Maria é verdadeiramente e realmente a Mãe de Deus”.
Pregador: Pe. Fabiano Dantas.
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Dia 11/08 – 3ª feira

06:00h – Missa na Igreja Matriz.
19:00h – 6a. Noite do Novenário.
Tema: As dores da Santíssima Virgem Maria. “Junto à cruz de Jesus estava de pé sua mãe”.
Pregador: Pe. João Paulo.
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Dia 12/08 – 4ª feira

06:00h– Missa na Igreja Matriz.
19:00h – 7a. Noite do Novenário.
Tema: A Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria. “Toda bela sois, Maria”
Pregador: Pe. Amaurilo José.
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Dia 13/08 – 5ª feira

06:00h – Missa na Igreja Matriz.
19:00h – 8a. Noite do Novenário.
Tema: As aparições de Nossa Senhora a Santa Bernadette em Lourdes: a celebração do jubileu dos 150 anos do prodigioso amor de Maria por seus filhos. “Eu sou a Imaculada Conceição”.
Pregador: Pe. Flávio José de Medeiros de Filho.
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Dia 14/08 – 6ª feira
06:00h – Missa na Igreja Matriz.
18:30h – Carreata com a imagem de Nossa Senhora da Guia saindo da Capela de Santa Rita de Cássia para a Igreja Matriz, com a participação de todos os motoristas.
19:00h – 9a. Noite do Novenário.
Tema: Nossa Senhora é a Rainha do sacratíssimo Rosário. “Maria meditava no seu coração os maravilhosos eventos do seu Filho”.
Pregador: Pe. Manoel Pedro Neto.
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DIA 15/08 – SÁBADO (DIA DO ACARIENSE)
SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA.
07:00h – Missa na Igreja Matriz.
10:00h – Missa Solene na Igraja Matris de Nossa Senhor da Guia.
presidida por D. Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, Bispo Diocesano, e concelebrada pelos sacerdotes presentes.
Tema: A gloriosa Assunção da Bem Aventurada sempre Virgem Maria. “A minh’alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu salvador”.
16:30h – Procissão com a Imagem de Nossa Senhora da Guia pelas principais ruas da cidade, seguindo-se de Missa Campal na Igreja Matriz, palavras de agradecimento, despedidas e arriamento do Estandarte da Festa.
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Programação - Municipal Clube

Dia 08/08 - Noite Maior - Banda Super Ohara (Traje Passeio Completo)
Dia 13/08 - Chicabana e Deixe de Brincadeira
Dia 14/08 - Ferro na Boneca e Brasas do Forró
Dia 15/08 - Dorgival Dantas e Rita de Cássia

Programação - Pavilhão de Nossa Senhora da Guia

Dia 05/08 – Forrozão Chega Nela
Dia 06/08 – Daniel e Banda
Dia 07/08 – Forrozão Aryaxé
Dia 08/08 – UsKaravelho e Jorge de Altinho
Dia 09/08 - Suvaco de Cobra e Paulo Cassiano & Banda Eclipse (Feirinha)
Dia 09/08 – João Pop Show
Dias 10, 11 e 12/08 – Atrações locais e Artistas da Terra
Dia 13/08 – Banda Feras
Dia 14/08 – Santana e Moleca Dengosa
Dia 15/08 – Canindé Moreno e Banda

Programação Cultural e Outras

Dia 07/08 (Sexta-feira)
20:30h - Jantar da Festa - Local: Municipal Clube de Acari

Dia 08/08 (Sábado)
09:30h - Desfile do Agricultor
20:30h - Exposição: O Vaqueiro Noite de Autógrafos - Local: Museu Histórico de Acari

Dia 09/08 (Domingo)
Feira de Artesanato e Comidas Típicas (Feirinha de N.S. da Guia) - Local: Pavilhão da Festa

Dia 10/08 (Segunda-feira)
20:30h - Entrega de Prêmio Incentivo a Leitura e Escrita "Acari cidade das Letras" -Local: Pavilhão da Festa

Dia 11/08 (Terça-feira)
21:00h - Celebração do Centenário da Escola Estadual Tomaz de Araújo - Local: Sede da Escola

Dia 13/08 (Quinta-feira)
20:30h - Exposições Afro-descendentes "Irmãos por toda História" e O Negro na Etnia do Seridó" - Local: Museu Histórico de Acari

domingo, 2 de agosto de 2009

Festa da Padroeira II


Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, em Acari (RN)

Imagem de Nossa Senhora da Guia, dentro da sua Matriz , em Acari (RN)

A festa da padroeira é um momento único de congraçamento, quando o sertanejo reencontra o seu passado, evocando, com orgulho, o amor pelas suas suas origens. Como muito bem define Juvenal Lamartine, trata-se do “ponto alto dos festejos sertanejos”, ocasião em que as famílias se deslocavam das fazendas para zona urbana, onde passava a habitar no decorrer das comemorações. No campo, a maior parte da população vivia, e do campo, a maior parte da população retirava o seu sustento. Porém, era na sede da freguesia que os habitantes se uniam, uma vez por ano, para exaltação da sua religiosidade e para o exercício da socialização.

Atualmente a realidade do Seridó é outra. A zona rural, por não ter condições de suprir as necessidades que o padrão de vida contemporâneo exige, perdeu a sua hegemonia econômica e social e, em muitos casos, acabou sendo quase abandonada. As condições adversas do sertão nordestino, combinadas com a falta de uma política pública apropriada, favoreceram ao êxodo rural que, em princípio, teve nas sedes dos municípios, o seu destino. Como essas pequenas cidades não tiveram, nem têm, condições de absorver toda essa mão-de-obra, a emigração se apresentou, e se apresenta, como uma alternativa de vida sedutora.

Para os grandes centros, parte da população rumou, e continua rumando, e pelo Brasil afora - por que não dizer, mundo afora - se fixou, demonstrando a sua garra e obstinação em vencer. O que era um povo com forte apego às suas origens, logo se transformou em uma nação dispersa por todo o território nacional, que finca uma coluna de resistência aos seus valores, enaltecendo as tradições seridoenses, onde quer que esteja. Constitui-se em uma tarefa fácil localizar ou identificar um seridoense fora do seu habitat, pois o indivíduo faz questão de alardear aos quatro cantos, o extremo orgulho que tem pelo seu passado e pela sua região natal.

Nessa versão sertaneja e permanente da bíblica diáspora, o seridoense constantemente se vê obrigado a deixar a sua “terra prometida”, para buscar o seu sustento ou sucesso profissional em outras paragens. Fugindo das dificuldades e de uma dura realidade, sem nunca perder o amor pela terra onde deu os primeiros passos, inicia uma nova vida distante de casa, mas sempre cultivando e mantendo acesa a chama do desejo de regressar, em definitivo. Talvez a peregrinação anual que caracteriza a festa da padroeira, também sirva para renovar esse amor e esse desejo de retorno. Um retorno lúdico, pois sabe muito bem que os novos laços (sociais, profissionais, afetivos, etc), surgidos na sua jornada de vida, o impedirão de satisfazer o que foi uma jura ou uma promessa que jaz remota, mas que o incomoda profundamente.

Não são poucos os que, mesmo morando distante, orgulham-se de nunca ter perdido uma festa da padroeira de sua cidade. Quase como um pedido de desculpas, por não poder mais retornar definitivamente à terra onde guarda pedaços preciosos da sua vida, o seridoense supera todos os obstáculos para anualmente prestigiar esse tradicional festejo. Talvez a espera do perdão, por uma traição que supostamente praticou, ou da clemência, por um crime que julga ter cometido, anualmente ele vence a distância, deixando para trás suas obrigações cotidianas e os seus compromissos sociais, e se entregando a veneração à padroeira, a veneração à terra que o concebeu, a veneração aos entes queridos que o transformaram em um homem de bem e que são partes indissolúveis do patrimônio histórico e cultural da região do Seridó.