domingo, 3 de maio de 2009

Declaração de Amor da Pedra do Avião por Gargalheiras


Foto da sangria tirada em 30/04 - Vídeo Foto Galvão - Acari (RN)


Pedra do Avião



Sessão solene da Câmara dos Deputados, no momento em que Luiza declamava o poema. - Vídeo Foto Galvão - Acari (RN)
Nesta quinta-feira passada (30/04) tivermos as comemorações do cinquentenário do nosso "Colosso de Rhodes". À tarde ocorreu uma sessão solene da Câmara dos Deputados, no Municipal Clube de Acari. Em seguida, no início da noite, foi realizada a solenidade comemorativa, ao lado da parede do açude. Finalizando a agenda festiva, um super show de Raimundo Fagner, fechando a noite com chave de ouro.

No decorrer do primeiro evento, a sessão da Câmara, tive uma dupla satisfação: A primeira, foi ter um poema selecionado para declamação naquela ocasião; a segunda, foi vê-lo declamado pela minha filha Luiza Gabriela.

Mas, sem dúvida alguma, a principal atração foi o poema das águas declamado pelo próprio Gargalheiras, em uma sangria que, em vários momentos do feriado prolongado, ultrapassou um metro de lâmina d'água. Como no final de semana também se deu o Festival do Pescado, a romaria de visitantes foi muito grande e ocorreu em grande intensidade no decorrer do dia e também durante a noite, já que a iluminação da parede possibilita a contemplação noturna.

Nota Explicativa
O poema representa uma ficção, onde a Pedra do Avião declara o seu amor ao Gargalheiras. Essa pedra na realidade é um bloco de granito que se encontra parcialmente imerso no centro das águas do açude e a sua denominação decorre da semelhança com uma aeronave desprovida de asas. Do local onde se encontra a pedra, tem-se uma visão panorâmica de praticamente toda a represa, porém não é possível a visualização do véu de noiva formado pela queda d'água da sangria, cena de grande beleza, que transforma o reservatório no ponto turístico mais reverenciado do Seridó.

De asas, eu não preciso
Pois o céu me acompanha
Essa água que me banha
Escorre do paraíso
Parece até que deslizo
Nesse mar que é meu céu
Nunca pude ver teu véu
Apesar de não ser cega
Mas não me desassossega
Esse destino cruel

Não contemplar a sangria
Mesmo estando tão perto
Ver o povo boquiaberto
Fascinado de alegria
Uma bela alvenaria
Com água nas cabeceiras
Contornando as cordilheiras
Seguindo para a parede
Para saciar a sede
Da garganta Gargalheiras

Essa cena deslumbrante
Enxergo por outro meio
No brilho do olho alheio
Do velho, moço ou infante
Num encanto radiante
Vejo a cena refletida
Na retina seduzida
Como que enfeitiçada
Mesmo estando acostumada
Sempre fico embevecida

Quando Deus tava criando
Começou pela bacia
Cada rego, Ele fazia
Num riacho, desaguando
Lado a lado se juntando
Formando um belo rio
Quase como um funil
Cercou tudo com as serras
Abençoando as terras
E lançando o desafio

Botou-me, bem lá no meio
Para ser a testemunha
Fiquei lá, roendo unha
Esperando, com anseio
Mas até que um bombardeio
Deu início a construção
Foram dias de tensão
Aguardando o final
Da obra transcendental
Colírio pra o coração

Deus fez um belo cenário
Foi o grande criador
O homem um construtor
E também um visionário
Hoje no cinquentenário
Carregada de emoção
Expresso a gratidão
A quem deu o seu suor
Trouxe vida ao Seridó
Essa realização

Uma obra tão querida
É uma jóia que brilha
A terceira maravilha
Merece ser protegida
Tratem bem cada ferida
Para dá-lhe melhor sorte
Mesmo sendo muito forte
Precisa de atenção
Sem a sua proteção
Teré a pena de morte

No brilho da lua cheia
Refletido em suas águas
Afogo todas as mágoas
Que o meu peito golpeia
Nessa água que prateia
Mergulha o meu amor
Mesmo sem forma nem cor
Ocupa todo o espaço
E como que em um abraço
Acalenta minha dor

(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)

6 comentários:

  1. Pedro,fascinante a beleza de seus versos em harmonia com a beleza das imagens do lugar, que encanta. De coração, fico na torcida para que o Gargalheira seja sempre bem cuidado e estruturado para acolher bem seus visitantes.
    Parabéns a você!
    Abraços
    Célia

    ResponderExcluir
  2. kallyana Isabele5 de maio de 2009 19:30

    Não conheço Acari, nem o Gargalheiras, mas pelo passeio que fiz por essas maravilhosas fotos, fiquei encantada e com uma vontade imensa de conhecer a tão falada cidade. Realmente só seus versos para representar tão bem essas fascinantes obras divinas.
    Parabéns pela filha, você deve estar muito orgulhoso.
    Kallyana

    ResponderExcluir
  3. Lindo poema que retrata um amor incondicional, eu imagino a emoção de ver a própria filha fazendo uso dessas tão belas palavras, provavelmente é seu sentimento em relação a ela.Deus fala de um amor assim, veja: " O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade...O amor jamais acaba ( I Cor.13:4-8)

    ResponderExcluir
  4. Complementando o comentário.............ah se esse amor estivesse no coração de cada pessoa em relação ao velho Garga, ai não seria nenhuma discursão, seríamos verdadeiros mordomos, guardiões desta preciosidade.

    ResponderExcluir
  5. Conheço Acari apenas 'de passagem' quando passei para Natal em algumas ocasiões. A cidade é encantadora, pelos casarões, pelo zê-lo com a limpeza das ruas...Mas seu encanto maior, Gargalheiras, ainda não conheço pessoalmente, apenas por fotografias e agora de forma poética pela sua poesia.
    Acari é um encanto. Um dia irei visitar esta cidade observando - e fotografando - cada detalhe, em especial Gargalheiras.
    Sobre suas fotos no Bico da Arara...Que beleza hein? Mas prefiro observar aqui pelo computador, vendo suas fotos. Tenho pânico de altura caro blogueiro, mas ainda bem que o Seridó tem gente de coragem como você e seus companheiros de passeio; que vão às alturas e fotografam, para o encanto de medrosas como eu...Obrigada.
    Parabéns pelo blog e pela poesia, ambos perfeitos.

    ResponderExcluir
  6. Por favor se alguem ou até o administrador do site tiver uma foto da turbina do aviao que caiu na Pedra do Aviao, por favor me mandem.
    E-mail: lucasrubio18@hotmail.com
    Eu lhe suplico por essa foto(se existir)pois a tempo que venho pesquisando sobre o assunto.
    Desde já , agradeço.

    ResponderExcluir